Com queda nos alimentos e transportes, inflação de agosto fica em 0,11%

Já a alta nos preços de energia elétrica foi o que mais pressionou a inflação de forma positiva

Diego Garcia
Rio de Janeiro

Agosto registrou inflação de 0,11%, divulgou nesta sexta-feira (6) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O resultado do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) foi 0,08 ponto percentual abaixo da taxa de julho, que havia sido de 0,19%. A variação acumulada no ano de 2019 chegou a 2,54%, enquanto os últimos 12 meses registraram 3,43%. Em agosto de 2018, a taxa foi de 0,09%.

A desaceleração foi influenciada pela deflação nos grupos Alimentação e Bebidas (-0,35%) e Transportes (-0,39%). 

A diminuição dos preços nas passagens aéreas contribuíram para os números negativos no item Transporte.  “Após os reajustes nos meses de férias, as passagens ficaram com uma base mais alta, e agora voltam para uma base mais baixa”, disse Pedro Kislanov, gerente da pesquisa do IBGE.

A queda nas passagens aéreas foi de 15,66% em agosto, depois de altas de 18,90% e 18,63% em junho e julho, respectivamente.

Ele também explicou que alguns dos principais alimentos tiveram significativas reduções nos preços, como o tomate (-24,49%), a batata inglesa (-9,11%), e as verduras e hortaliças (-6,53%), o que justifica a deflação no item Alimentação e Bebidas.

Sobre a deflação nos alimentos e passagens aéreas, a economista do Itaú Julia Passabom disse que "são coisas voláteis e ajudam a confirmar uma dinâmica tranquila. Os núcleos rodam baixo e inflação como um todo também rodando bem baixa".

Os analistas Márcio Milan e Andressa Guerrero, da Tendências Consultoria Integrada, esperam que setembro tenha "a volta da pressão positiva advinda dos preços de alimentos, de acordo com os repasses do atacado para o varejo". 

Eles também acrescentam que o grupo Habitação também deve sustentar o atual ritmo de alta, em linha com a manutenção das tarifas de energia elétrica. "Os preços de combustíveis (principalmente gasolina) devem impulsionar ainda mais o grupo Transportes, contribuindo para maior aceleração do IPCA neste mês", acrescentaram.

"A trajetória dos próximos meses também é tranquila, colocando projeções também continuamos desacelerando e a expectativa é que continue desacelerando", continuou Julia Passabom, do Itaú.

Assim como em julho, o maior impacto foi no grupo habitação (1,19%), por conta da alta de 3,85% na energia elétrica, o que pressionou a inflação de forma positiva. O registro contribuiu com 0,15 ponto percentual no índice de agosto, que passou a vigorar com a bandeira vermelha patamar 1.

De acordo com a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), essa cobrança significa um adicional de R$ 4 para cada 100 quilowatts-hora consumidos. 

A alta na energia elétrica trouxe reflexos principalmente em Fortaleza e São Paulo. A cidade cearense teve um aumento de 9,01%, enquanto a capital paulista computou 5,06%. Os registros representaram variações de 0,33% em ambas no IPCA de agosto, os maiores do país entre os índices regionais.

Em julho, a bandeira tarifária foi amarela, que representa R$ 1,50 a cada 100 quilowatts-hora. A bandeira tarifária verde, em junho, é sem custos para os consumidores. 

Outro item que subiu em habitação foi o gás encanado (0,46%), consequência do reajuste de 0,99% nas tarifas do Rio de Janeiro (0,93%) desde o dia 1 de agosto. 

O botijão de gás teve queda de 0,93% graças ao anúncio da Petrobras de reduzir 8,15% o preço do botijão de 13 kg nas refinarias desde 5 de agosto.

Houve deflação em três dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados.

Sete das 16 zonas captadas pelo IBGE para cálculo da inflação registraram deflação: Vitória (-0,50%), Aracaju (-0,47%), São Luís (-0,31%), Campo Grande (-0,21%), Belém (-0,20%), Rio de Janeiro (-0,06%) e Porto Alegre (-0,04%).

“Nessa época do ano é comum a inflação ser mais baixa, porque os aumentos dos preços monitorados, como por exemplo ônibus urbanos, costumam se concentrar no início do ano”, afirmou Pedro Kislanov, gerente da pesquisa.

O IBGE calcula o IPCA desde 1980 entre famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos e abrange dez regiões metropolitanas do Brasil, mais as cidades de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e Brasília. O índice de agosto foi calculado entre 30 de julho e 27 de agosto de 2019.

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