Bolsonaro convida chineses a participar de mega leilão de petróleo

Brasileiro disse estar muito feliz com o tratamento dispensado pelo governo chinês

Raquel Landim
Pequim

Em encontro com o dirigente chinês Xi Jiping, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) convidou a China a participar do leilão de cessão onerosa de petróleo que acontece no início de novembro.

“É o maior leilão de petróleo e gás. A China não pode ficar ausente nesse momento”, disse Bolsonaro nos minutos oficiais da reunião no Grande Salão do Povo nesta sexta-feira (25). O setor de petróleo é considerado estratégico pelo governo brasileiro.

Entre as 14 empresas inscritas para participar do leilão, duas são chinesas: CNOOC e CNODC. Uma terceira, a Petrogal Brasil, é parceria entre a portuguesa Galp e a chinesa Sinopec. Todas já têm participação em operações no pré-sal brasileiro.

CNOOC e a controladora da CNODC, a CNPC, são sócias de Libra, a primeira grande área do pré-sal licitada pelo governo, em 2013. A Petrogal Brasil é sócia das primeiras descobertas da Petrobras no pré-sal, incluindo o campo de Lula, o maior do Brasil.

Jair Bolsonaro e o primeiro-ministro da China, Li Keqiang (R), se cumprimentam antes de reunião no Grande Salão do Povo, em Pequim - Yukie Nishizawa - 25.out.19/AFP

Já o dirigente chinês frisou a proximidade de China e Brasil como países emergentes —em uma referência indireta ao alinhamento do governo brasileiro com os Estados Unidos.

“Vai se manter inalterada a tendência de ascensão coletiva de países emergentes como China e Brasil. Acredito que nossa relação terá um futuro brilhante”, disse Xi.

Bolsonaro também ressaltou que a reforma da Previdência trouxe previsibilidade aos investidores interessados em apostar no país e que o Brasil quer agregar valor às suas exportações “no que for possível”.

Ele fez questão de frisar que estava muito feliz como a maneira como vem sendo tratado por diversos representantes do governo chinês.

Pouco antes do encontro de trabalho com Xi e seus auxiliares, Bolsonaro foi recebido com pompa em cerimônia na Praça da Paz Celestial em Pequim.

Bolsonaro e Xi passaram em revista a Guarda de Honra do Exército chinês após ouvir o Hino Nacional Brasileiro. Depois foram saudados por um grupo de crianças que pulavam e balançavam flores e bandeiras dos dois países.

Antes de se encontrar com Xi, o presidente brasileiro se reuniu também com Li Zhanshu, presidente da Assembleia Popular, e Li Keqiang, primeiro-ministro.

As declarações de Bolsonaro e de sua equipe em Pequim representam uma forte mudança de rumo em relação à campanha eleitoral e ao início do governo.

Durante a campanha, o então candidato visitou Taiwan, um tema politicamente delicado para a China, e chegou a afirmar que “a China não estava comprando no Brasil, mas no Brasil”.

No início do governo, em aula magna para os alunos do Instituto Rio Branco, o chanceler Ernesto Araújo disse que “o Brasil não ia vender a alma para exportar soja e minério para a China”.

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