'Ressaca' da Black Friday derruba vendas da Hering no 4º trimestre

Faturamento caiu 5,2% no período, aponta relatório da empresa

São Paulo

A Cia Hering divulgou nesta segunda-feira (20) queda de 5,2% no faturamento bruto do quarto trimestre sobre o mesmo período de 2018, a R$ 502,9 milhões, impactada por "ressaca" acima da esperada nas vendas após a Black Friday.

A companhia, que registrou alta nas vendas em mesmas lojas —conceito que considera somente unidades em operação há pelo menos 12 meses— nos sete trimestres anteriores, teve queda de 4% no quesito nos últimos três meses de 2019.

Em relatório operacional, a companhia afirmou que o fraco desempenho de dezembro —que tradicionalmente responde por cerca de 60% das vendas do último trimestre— foi reflexo do aumento das vendas em outubro e novembro, meses característicos de compras por conta do dia das crianças e pela Black Friday.

“A ressaca de vendas após a Black Friday já era esperada em razão da antecipação de parte das compras, entretanto este movimento se estendeu mesmo após a segunda quinzena de dezembro", afirmou a empresa.

 

As vendas da marca Hering recuaram 5% no trimestre, para R$ 382,5 milhões, enquanto o faturamento da marca PUC, também pertencente à companhia, caiu 32,7%.

Hering Kids e Dzarm tiveram crescimentos de 0,7% e 7,1%.

As vendas de lojas próprias da empresa recuaram 1,9% no período, apesar de aumento de fluxo nas lojas. Já as vendas para franquias recuaram 5,2%, com fechamento líquido de 13 lojas nos últimos 12 meses. No canal multimarcas, a queda nas vendas foi de 13%, segundo a empresa, devido ao menor número de clientes.

Em entrevista recente feita à Folha, o fundador da TNG e da Ablos (Associação Brasileira dos Lojistas Satélites), Tito Bessa Jr., já havia afirmado que o setor varejista esperava números mais fracos no quarto trimestre.

Segundo ele, a euforia do consumidor em relação à Black Friday pode ter sido responsável pelo aumento das vendas no mês, mas também frustrou o final de ano, uma vez que o consumidor gastou a maior parte do seu dinheiro em novembro e acabou economizando no natal.

Em meio a tudo isso soma-se, ainda, a polêmica envolvendo a Alshop (Associação dos Lojistas de Shopping). Em dezembro, a associação divulgou seu característico balanço das vendas de fim de ano e afirmou uma alta de 9,5% para o setor.

O número não foi visto com bons olhos por varejistas, que não apenas questionaram os valores divulgados como irreais, mas também ameaçaram entrar na Justiça para contestar os dados da Alshop. Segundo a associação, os números reunidos representam as respostas de 400 empresas que representam 30 mil pontos de venda.

(Com Reuters)

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