A gente está numa aceleração econômica medíocre, mas aceitável nesse momento, diz André Esteves

Banqueiro defendeu que ala militar do governo precisa entender a importância das reformas

São Paulo

O banqueiro André Esteves, fundador do banco BTG Pactual, disse que os últimos números da economia brasileira foram um pouco frustrantes. 

“Talvez até mais do que um pouco”, disse durante o evento CEO Conference Brasil 2020 do BTG Pactual, nesta quarta-feira (19), em São Paulo. 

“Tivemos em torno de 1% de crescimento no ano passado e 2% esse ano, o que não é muito brilhante”, afirmou. “A gente está numa aceleração medíocre, mas está aceitável nesse momento. Se a gente sair de 1% em 2019 para 3% em 2021 vamos chegar num lugar aceitável para sociedade”, afirmou.

Nesta quarta, Jair Bolsonaro comemorou o resultado do monitor do PIB da FGV (Fundação Getulio Vargas), que estimou um crescimento de 1,2%. "O Brasil está dando certo!", tuitou o presidente.

Segundo Esteves, a política econômica do governo Jair Bolsonaro está alinhada com a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher e o ex-presidente americano Ronald Reagan.

“O Bolsonaro entendeu que a Thatcher e o Reagan pensam diferente do Geisel. A vida é mais pragmática do que parece. Os militares são ótimos, bons sujeitos, boa formação, mas precisam passar pelo processo que o presidente passou”, disse Esteves.

O banqueiro André Esteves aparece de frente para a câmera, olhando para o lado, com uma expressão neutra no rosto
O banqueiro André Esteves; aprovação por autoridades regulatórias no exterior ainda está pendente - Gabo Morales - 11.Nov.2012/Folhapress

Segundo ele, a ala militar do governo precisa entender a importância das reformas, principalmente a administrativa e tributária. 

Para Esteves, a extrema esquerda brasileira pensa parecido com a extrema direita. “A Dilma [Rousseff] pensa igualzinho ao [general e ex-presidente durante a ditadura militar Ernesto] Geisel, principalmente no modelo de construir a infraestrutura do Brasil”, disse o banqueiro

O banqueiro também diz que o trânsito entre o Executivo, Legislativo e Judiciário está melhor hoje do que no início do governo Bolsonaro. 

“No fundo temos uma relação mais harmônica, próxima e construtiva do que lemos diariamente no noticiário. Isso foi construído ao longo do tempo, não começou assim. A despeito das idiossincrasias, vivemos o melhor momento dessa relação”. 

Esteves defende a manutenção da taxa Selic, que hoje está na mínima histórica de 4,25% ao ano. 

“Acho que o Banco Central não reduzirá o juro na próxima reunião. Se eu estivesse sentado na cadeira não cairia. Estamos perto da política monetária máxima, com juros e inflação baixa e continuamos a mostrar solidez fiscal”, afirmou.

Segundo ele, ninguém vivo no país viveu juros e inflação nesse patamar. “É um belo novo mundo. Vamos ter uma enorme transferência do rentista para o empreendedor. Tem um monte de gente viúva do rentismo, eu entre eles”. 

Essa foi a principal aparição pública de Esteves desde a sua prisão durante uma fase da operação Lava Jato.

Esteves foi preso em novembro de 2015, após promotores o acusarem de tentar comprar o silêncio de testemunha envolvida num esquema de suborno. 

Ele foi forçado a deixar o cargo de presidente do banco, mas retornou em abril de 2016 como consultor sênior. Um juiz federal o absolveu no ano passado.

A programação do evento previa o discurso de Esteves na terça-feira (18), na abertura do evento, mas ele trocou o horário de sua fala com o secretário Especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados, Salim Mattar.

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