Descrição de chapéu Coronavírus

Plano do governo contra coronavírus prevê injeção de R$ 147,3 bilhões na economia

Adiantamento do abono salarial e ampliação do Bolsa Família estão entre as medidas

Brasília

O Ministério da Economia anunciou nesta segunda-feira (16) um pacote de medidas para minimizar os efeitos do novo coronavírus. Em conjunto com ações anunciadas na semana passada, as propostas têm impacto de R$ 147,3 bilhões.

A maior parte das medidas não gera impacto sobre o Orçamento. "Tudo isso está sendo feito sem espaço fiscal", afirmou o ministro Paulo Guedes (Economia). Depois, os técnicos afirmaram que há dois tipos de medida no conjunto anunciado que trazem impacto fiscal, como o reforço no orçamento do Bolsa Família e a isenção de impostos para equipamentos hospitalares.

O pacote é uma tentativa do governo de dar fôlego à economia enquanto o país passa pela crise do coronavírus. A pandemia já levou o governo a revisar a projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano de 2,4% para 2,1%. As previsões do mercado captadas pelo Banco Central estão em 1,68%.

“Precisamos fazer um contra-ataque para atenuar os impactos econômicos [do coronavírus]. Os impactos podem ser sérios”, afirmou.

O pacote equivale a 2,03% do PIB brasileiro de 2019, que foi de R$ 7,25 trilhões. Na Austrália, a ajuda foi de 2,3% no PIB. No Reino Unido, de 0,6%.

Naárea que classifica como atenção à população mais vulnerável, a pasta informou que valores não sacados de PIS/Pasep serão transferidos para o FGTS para permitir novos saques, no valor de R$ 21,5 bilhões.

Ministro da Economia Paulo Guedes - Evaristo Sá - 3.abr.2019/AFP

O secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, disse que a intenção é fazer com que o fundo tenha mais liquidez para ampliar as possibilidades de saques para os cotistas no futuro.

A ideia da equipe econômica é facilitar os saques futuramente por meio, por exemplo, de uma ampliação do saque aniversário (modalidade de retirada anual, criada em 2019). Segundo Rodrigues, também estão em estudo novas possibilidades para disponibilizar os recursos à população.

Também será antecipado o pagamento do abono salarial. O desembolso será feito em junho, totalizando R$ 12,8 bilhões.

O governo também pretende destinar mais R$ 3,1 bilhões ao programa Bolsa Família para que mais de um milhão de famílias entrem no programa de transferência de renda e que vem sofrendo com a falta de recursos.​

O reforço no programa vai demandar remanejamento de valores no Orçamento. O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, afirmou que o governo vai negociar com parlamentares de onde serão retirados os recursos. “Vamos ter que conversar com o Congresso”, disse.

As autoridades anunciaram medidas para manutenção dos empregos. Está previsto o adiamento do prazo de pagamento de tributos.

Do total, R$ 55,2 bilhões correspondem a um adiamento por três meses do prazo de pagamento, pelas empresas, do FGTS e da parte da União no Simples Nacional.

Haverá uma liberação de R$ 5 bilhões de crédito para micro e pequenas empresas. Será feita ainda uma redução de 50% nas contribuições do Sistema S pelo mesmo período, com impacto de R$ 2,2 bilhões.

De acordo com a pasta, R$ 4,5 bilhões do fundo do Dpvat serão destinados para o SUS.

Alíquotas para importação de produtos médicos e hospitalares serão zeradas até o final do ano. O IPI sobre bens nacionais ou importados necessários ao combate da pandemia serão desonerados temporariamente.

Apesar de apresentar novas medidas para suavizar os impactos do coronavírus na economia, Guedes voltou a defender a aprovação de reformas.

“Com as reformas estruturantes, você aumenta a resistência, a resiliência da economia brasileira; ajuda a atravessar essa turbulência que vem de fora”, disse o ministro.

Ele elencou três principais reformas: o pacto federativo, o projeto que permite a privatização da Eletrobras e o plano Mansueto (conjunto de medidas de socorre a estados em dificuldade financeira).

Diante do difícil cenário de aprovação do projeto da Eletrobras, Guedes reconheceu que terá que tirar a previsão de arrecadação de R$ 16 bilhões com a operação neste ano.

Durante apresentação à imprensa, Guedes não queria responder perguntas afirmando que quem iria detalhas as medidas seriam os secretários. Diante de insistências, chegou a se levantar da cadeira e ameaçar ir embora, mas se sentou novamente. Ao final da exposição, chegou a responder poucas perguntas e logo se retirou.

Guedes admitiu a possibilidade de uma desaceleração forte na atividade, mas ao mesmo tempo reclamou do que chamou de “psicologia negativa”.

“De crescimento há um impacto evidentemente de desaceleração forte. Se formos contaminados por uma psicologia negativa ou de desentendimento, o Congresso não aprova [medidas de interesse do governo], não abre espaço fiscal, vamos para a rua para reclamar, a mídia diz que o PIB vai cair 6%, aí todo mundo fica trancado dentro de casa”, disse.​

Mesmo assim, ele avalia que as pessoas podem continuar comprando dentro de casa e movimentando o comércio por meio de entregas a domicílio.

O ministro citou dados sobre a China dizendo que naquele país houve "só" 5.000 vítimas fatais e que agora o contágio já estaria dando sinais de declínio. "Os dados que me dão são impressionantes. Num país de 1,5 bilhão de pessoas, dizem que morreram só 5.000 pessoas. Não sei se os dados que saem de lá são absolutamente confiáveis, mas é impressionante", afirmou.

A China tem cerca de 1,4 bilhão de habitantes. Segundo os últimos levantamentos, morreram cerca de 3.200 pessoas no país.

Guedes afirmou que, percentualmente, o vírus mata menos do que doenças tradicionalmente observadas no Brasil. E citou como exemplo o Aedes aegypti (que, na verdade, é o mosquito transmissor de doenças como dengue e febre amarela).

Um dia depois de atos estimulados pelo presidente Jair Bolsonaro serem registrados a favor do governo e com críticas ao Congresso e ao STF (Supremo Tribunal Federal), Guedes ressaltou suas críticas a divisões e ataques no país. "Se em vez de nos culparmos uns aos outros, nos atacarmos, nos dividirmos em vez de pensarmos que somos brasileiros e temos que nos defender numa situação dessas juntos... Se fizermos isso, em três ou quatro meses a crise acabou e o Brasil retoma o ritmo de aceleração", disse.

Veja as medidas propostas para minimizar impacto do coronavírus na economia

Em uma rede social, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que os recursos "serão destinados ao atendimento aos mais vulneráveis, à manutenção de empregos, reforços na saúde, entre outras ações".

Erramos: o texto foi alterado

Diferentemente do publicado no título do texto e na manchete da ​homepage, plano do governo contra coronavírus prevê injeção de R$ 147,3 bilhões na economia, e não R$ 147,3 milhões. O título e a chamada foram corrigidos.

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