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Ato unificado do 1º de Maio das centrais sofre desfalques na véspera

Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre desistem de mandar mensagens; Boulos se afasta

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Rio de Janeiro

Planejado como uma demonstração de unidade das centrais sindicais, o ato virtual em comemoração ao Dia do Trabalho sofreu desfalques nessa quinta-feira (30), véspera de sua realização, trazendo à tona divergências dentro do movimento sindical.

Os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff (PT), bem como os ex-ministros Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede), já enviaram suas mensagens que serão transmitidas pelas redes sociais. A tônica dos discursos será de solidariedade ao trabalhador e de coesão para enfrentamento da crise em tempos de coronavírus.

Convidados pela organização do ato, os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, no entanto, desistiram de mandar recado aos trabalhadores, embora seus nomes já constassem da grade de programação.

Até a noite desta quinta-feira (30), o deputado Paulo Pereira da Silva (Solidariedade-SP), o Paulinho da Força, ainda procurava seus gabinetes à espera do envio das mensagens. Mas sem sucesso.

Toffoli, por exemplo, preferiu não acirrar ainda mais os ânimos depois que o presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) atacou, publicamente, a decisão do ministro Alexandre de Moraes (STF) de suspender a posse de seu escolhido para a diretoria-geral da Polícia Federal. Temendo que sua participação fosse encarada como uma afronta, Toffoli não gravou a mensagem.

Já Maia e Alcolumbre optaram por ficar de fora diante da reação negativa dos movimentos de esquerda à sua presença no palco virtual.

O anúncio de seus nomes como participantes afugentou o PSOL e o coordenador do MTST, Guilherme Boulos, do ato virtual.

Reunida na noite desta quarta-feira (29), a coordenação do MTST decidiu deixar o ato. Apesar de concordar com a participação deles nos movimentos em defesa da democracia, a chamada unidade democrática, Boulos alega que o 1º de Maio celebra a luta pela preservação dos direitos dos trabalhadores —contra os quais, afirma, PSDB e DEM atuaram.

“Maia comandou a Reforma da Previdência, esteve na linha de frente da reforma trabalhista e acaba de aprovar a carteira verde e amarela”, lembra ele.

Pelo mesmo motivo, o presidente do PSOL, Juliano Medeiros, abriu mão de falar. "O 1° de maio é o dia de luta dos trabalhadores. Respeito a autonomia das centrais sindicais, mas não me sinto à vontade pra dividir o palanque --mesmo que virtual-- com quem está atacando direitos dos trabalhadores e trabalhadoras”, afirmou.

A resistência da esquerda não é a única causa da ausência dos presidentes da Câmara e do Senado. Com duas cadeiras na Esplanada dos Ministérios, o DEM teme que a aparição dos dois impeça que o partido se reaproxime de Bolsonaro.

Ato virtual

De acordo com a programação, os discursos de FHC e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva marcarão o encerramento do ato virtual em comemoração à data. Transmitidas via internet, suas mensagens serão intercaladas pelas falas da vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos (PC do B), e dos presidentes das duas maiores centrais sindicais, CUT (Central Única dos Trabalhadores) e Força Sindical.

Além de Lula, FHC, Dilma, Ciro e Marina, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), participarão do ato, organizado por sete centrais além de CUT e Força Sindical. São elas: UGT, CSB, CTB, CGTB, NCST, Intersindical e Publica.

A intervenção da ex-deputada Manuela D’Ávila será exibida logo depois da participação de um representante do PL e de um do PV. Já no início da semana, essa diversidade provocou mal-estar e consequente saída de duas centrais que, originalmente, integravam a organização. Em protesto, a CSP-Conlutas e a Intersindical realizarão ato independente, convocando ainda um panelaço contra o presidente Jair Bolsonaro.

Mesmo com os desfalques, o secretário-geral da Força, João Carlos Gonçalves, o Juruna, aposta que o ato ditará qual ênfase se dará a dois movimentos que, em suas palavras, estão na praça: renúncia já ou impeachment de Bolsonaro.

“Estamos construindo um movimento como as Diretas Já! Bolsonaro que se cuide”, diz Juruna.
Presidente da CTB, Adilson Araújo afirma que o momento político exige a unificação das forças que defendem a democracia.

“O presidente afronta as instituições. A democracia está ameaçada. Temos que nos unir em sua defesa”, justificou.

Cerca de 30 artistas se apresentarão durante a Live 1º de Maio Solidário. Batizado de “Saúde, emprego e renda. Em defesa da Democracia. Um novo mundo é possível”, o ato será transmitido das 11h30 às 15h30.

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