Guedes quer que eu continue no governo e eu também gostaria, diz presidente demissionário do BB

Rubem Novaes, 74, renunciou ao cargo na gestão do banco público em 24 de julho

São Paulo

O presidente demissionário do Banco do Brasil, Rubem Novaes, afirmou nesta quinta-feira (6) que o ministro da Economia, Paulo Guedes, gostaria de mantê-lo na equipe econômica depois de sua saída da gestão do banco público.

“O Paulo [Guedes] gostaria que eu continuasse [no governo] e eu também, mas ainda não definimos como se daria a minha participação na equipe econômica”, afirmou.

Segundo Novaes, no entanto, ainda não existe nenhuma formalização sobre sua permanência no governo.

Presidente demissionário do Banco do Brasil, Rubem Novaes
Presidente demissionário do Banco do Brasil, Rubem Novaes - Adriano Machado - 31.mar.2020/Reuters

“A única coisa que é certa é que a minha base de trabalho vai ser no Rio de Janeiro. Talvez no futuro, passada a fase de pandemia, o Paulo [Guedes] retome sua antiga agenda de viagens, na qual toda sexta-feira ia para a sede do antigo Ministério da Fazenda. Seria uma boa ocasião para nos encontrarmos. Mas em termos de formalização, ainda não tem nada adiantado. E isso é o que menos importa, vamos continuar juntos e ele [Paulo Guedes] vai ter que continuar ouvindo meus pitacos”, disse o atual presidente do Banco do Brasil.

Novaes disse que voltará para o Rio de Janeiro para ficar próximo à família. O executivo entregou seu pedido de renúncia ao cargo de presidente do BB em 24 de julho para o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e para o ministro Paulo Guedes.

“Tomei a decisão de passar o bastão porque entendi que está na hora de ceder o lugar para alguém mais jovem do que eu, talvez com mais energia para enfrentar os novos tempos. Venho conversando sobre isso há um tempo com o Guedes e acabei conseguindo convencê-lo de que essa é uma boa solução”, disse Novaes. O executivo completará 75 anos neste mês.

Em comunicado ao mercado divulgado em julho, o Banco do Brasil afirmou que a saída de Novaes do posto de presidente deve acontecer ainda este mês. O executivo afirma, no entanto, que ainda não há uma data estabelecida.

“Oficialmente ainda não chegou nada. A experiência que temos do governo é que enquanto as coisas não saem no Diário Oficial, e mesmo depois de serem publicadas, elas ainda podem mudar. Então enquanto não ficar definido, a gente ainda não sabe quando eu vou passar o bastão”, disse Novaes.

O executivo escolhido pelo governo para substituir Novaes na presidência do BB foi André Brandão, do HSBC.

O nome foi informalmente comunicado a dirigentes do banco pelo Palácio do Planalto. A confirmação de Brandão à frente da instituição, porém, ainda depende de um rito que deve levar em torno de uma semana.

O estatuto social estabelece que o chefe do Banco do Brasil é nomeado pelo presidente da República —portanto, cabe a Jair Bolsonaro oficializar a escolha.

O Palácio do Planalto precisa comunicar oficialmente ao BB a escolha do nome. Na sequência o banco submete o nome ao comitê de exigibilidade.

Caso seja aprovado, o nome volta ao Planalto, que publica a escolha no Diário Oficial da União. Por último, o Banco do Brasil deve informar, em fato relevante (comunicado ao mercado) o nome de seu novo presidente.

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