Trump aumenta o cerco contra empresas chinesas e expande restrição ao WeChat

Decreto que entra em vigor em 45 dias também proíbe transações com o app de mensagens da Tencent

Washington e São Paulo

A restrição contra as redes sociais chinesas anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, além de proibir transações com a ByteDance, dona do TikTok, expande a restrição à Tencent, que controla o app de mensagens WeChat.

A decisão provocou nesta sexta-feira (7) uma resposta de Pequim e uma ameaça de ações legais por uma das empresas afetadas.

Por meio de um decreto, que entra em vigor em 45 dias, Trump proíbe qualquer transação nos Estados Unidos com as empresas proprietárias do aplicativo de vídeos TikTok e do app de mensagens WeChat.

Trump alegou questões de segurança nacional para justificar a decisão contra a ByteDance e a Tencent, uma das líderes da indústria de jogos eletrônicos e também uma das empresas mais ricas do planeta.

A medida aumenta a pressão sobre a ByteDance para que conclua as negociações de venda da plataforma de vídeos para a Microsoft, além de criar outra fonte de confronto entre a Casa Branca e Pequim.

Placar luminoso mostra logo do WeChat enquanto pessoa caminha em frente
Trump expande escalada contra China e mira WeChat - Richard Brooks/AFP

O TikTok, por meio de sua comunicação no Brasil, disse estar chocado com a recente ordem de Trump e que por quase um ano tentou encontrar uma solução construtiva para as preocupações expressas pelo governo americano.

"Descobrimos que o governo não prestou atenção aos fatos, ditou termos de um acordo sem passar por processos legais padrões e tentou se inserir nas negociações entre empresas privadas", segundo a nota da empresa. "Esclarecemos que o TikTok nunca compartilhou dados dos usuários com o governo chinês, nem censurou o conteúdo a seu pedido."

A ordem de Trump, ainda segundo a mensagem, "corre o risco de minar a confiança das empresas globais no comprometimento dos Estados Unidos com o Estado de direito, que serviu como um ímã para investimentos e estimulou décadas de crescimento econômico americano". ​

O decreto presidencial cita uma ameaça à "segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos" para justificar a decisão.

"O TikTok automaticamente captura vastas faixas de informações de seus usuários, incluindo informações como localização e históricos de visitas e buscas na internet", afirma o texto.

A China reagiu nesta sexta-feira e denunciou o que considera "manipulação e repressão políticas" dos Estados Unidos pela proibição.

O porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores, Wang Wengbin, acusou Washington de "colocar interesses egoístas acima dos princípios de mercado e da norma internacional".

Os Estados Unidos "fazem uma manipulação e uma repressão política arbitrárias que só podem levar ao seu próprio declínio moral e prejudicar sua imagem", acrescentou.

Usuários da rede social Weibo, um equivalente chinês do Twitter, lamentaram a medida adotada contra o WeChat.

"Como os estudantes no exterior vão contactar suas famílias quando vetarem o WeChat?", questionou uma pessoa.

Ações legais

O TikTok ameaçou iniciar ações legais nos tribunais dos Estados Unidos.

"Nós vamos buscar todas as soluções disponíveis para assegurar que o estado de direito não seja descartado e que nossa empresa e nossos usuários sejam tratados de maneira justa —se não pelo governo, então pelos tribunais dos Estados Unidos", afirma o TikTok em um comunicado.

De acordo com o decreto de Trump, os dados do TikTok, que foi baixado 175 milhões de vezes nos Estados Unidos e mais de um bilhão de vezes no mundo, podem potencialmente ser usados pela China para detectar a localização de funcionários e terceirizados do governo americano, elaborar dossiês para chantagear pessoas e fazer espionagem corporativa.

Na quinta-feira (6), o Senado americano votou para proibir que o TikTok seja instalado nos smartphones dos funcionários federais.

O projeto de lei aprovado pelo Senado, de maioria republicana, será enviado à Câmara de Representantes, dominada pela oposição democrata.

Trump e outras fontes do governo afirmam que o TikTok pode ser usado por Pequim para espionar os usuários americanos, o que é negado pela plataforma, que opera fora da China.

O WeChat é um aplicativo de mensagens, rede social e de pagamento eletrônico que pertence à TenCent Holdings e teria mais de um bilhão de usuários.

As ações da Tencent caíram mais 5% nesta sexta-feira na Bolsa de Hong Kong.

"Como o TikTok, o WeChat captura automaticamente vastas faixas de informação dos usuários, ameaçando assim dar ao Partido Comunista Chinês acesso a informações pessoais dos americanos", afirma o decreto.

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