Para financiar Renda Cidadã, Mourão diz que ou governo corta gastos ou cria imposto

O presidente tem encontrado dificuldades em encontrar uma solução para financiar o programa social, que substituiria o Bolsa Família

Brasília

Com a dificuldade do governo em encontrar uma forma de financiar o Renda Cidadã, o vice-presidente Hamilton Mourão disse nesta quinta-feira (1º) que a única maneira de lançar um programa social robusto é ou por meio do corte de gastos ou pela criação de um novo imposto.

Em conversa com a imprensa, o general da reserva disse que, além de abandonar a proposta de limitar os gatos de precatórios, acredita que o presidente Jair Bolsonaro também não levará adiante a ideia de usar recursos do Fundeb (fundo para educação básica).​

"Se você quer colocar um programa social mais robusto que o existente, você só tem uma de duas linhas de ação. Ou você vai cortar gastos em outras áreas e transferir esses recursos para esse programa. Ou você vai sentar com o Congresso e propor algo diferente, uma outra manobra, algo que seja, por exemplo, fora do teto de gastos. Um imposto específico para isso e que seja aceito pela sociedade como um todo", afirmou.

O vice-presidente Hamilton Mourão, responsável por concentrar políticas sobre a Amazônia
O vice-presidente Hamilton Mourão durante evento no Palácio do Planalto - Adriano Machado - 16.set.2020/Reuters

O vice-presidente ponderou, no entanto, que não tem participado do debate sobre o financiamento da proposta. Em encontro na quarta-feira (30) com a equipe econômica, o presidente não chegou a uma definição sobre como viabilizar a iniciativa.

Nesta quinta-feira (1º), o ministro da Economia, Paulo Guedes, tem um novo encontro no Palácio do Planalto com líderes do governo para tentar chegar a um consenso. A eventual criação de um imposto enfrenta forte resistência junto à cúpula militar.

Na segunda-feira (28), tanto integrantes do Poder Legislativo como do TCU (Tribunal de Contas da União) criticaram a ideia do presidente de financiar o Renda Cidadã com precatórios e Fundeb. Na opinião deles, o Executivo tenta driblar o teto de gastos por meio de uma “contabilidade criativa”.

A crítica tem sido feita até mesmo por membros da equipe econômica, que consideram que o financiamento avaliado pelo governo pode ser classificado como uma "pedalada".​ No início da semana, Bolsonaro disse que quer uma "solução racional", mas observou que, caso não encontre, poderá adotar uma "decisão mal tomada".

"Eu quero a solução racional e preciso de ajuda no tocante a isso. Agora, se não aparecer nada, vou tomar aquela decisão que o militar toma. Pior do que uma decisão mal tomada, é uma indecisão. Eu não vou ficar indeciso", afirmou.

Mourão afirmou ainda que não acredita que o Renda Cidadã possa ser prejudicado pelo embate entre o ministro da Economia e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Segundo ele, a troca de acusações se trata de uma questão pessoal.

"Mas o Guedes e o Maia é uma coisa pessoal, pô. Isso não tem nada a ver. Acho que vocês [imprensa] também ficam revirando esse troço. Não. O conjunto da obra são 512 deputados federais mais o Maia. Paciência", afirmou.

​Maia acusou Guedes de interditar a reforma tributária. Em resposta, o ministro disse há boatos de que o deputado fez um acordo com a esquerda para travar as privatizações. "Paulo Guedes está desequilibrado", rebateu Maia.

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