Descrição de chapéu Economia em debate

Covid-19 mostra que Brasil tem condições de reduzir dependência de medicamentos importados

Farmacêutica nacional garante medicamentos no combate à pandemia

Reginaldo Arcuri

É presidente-executivo do GFB (Grupo FarmaBrasil)

Dante Alário Júnior

É presidente do Conselho de Administração do Grupo FarmaBrasil (GFB)

Com queda no número de mortes e expectativa sobre o avanço das pesquisas para criação de uma vacina, em dezembro completamos o nono mês convivendo com a Covid-19 e seu impacto na vida de todos os brasileiros. Embora a situação ainda não esteja sob controle, um balanço desse período mostra a grande contribuição que o setor farmacêutico nacional tem dado no combate à doença.

Entre os associados do GFB (Grupo FarmaBrasil), para atender as inúmeras demandas do governo e da população, a produção de medicamentos entre janeiro e agosto de 2020, com 960 milhões de unidades, foi a maior nos últimos cinco anos para o período dos dez primeiros meses. Nos seis primeiros meses do ano a indústria farmacêutica criou 3.630 novos postos de trabalho, quantidade acima da registrada no mesmo período de 2019 (2.613 vagas) e de 2018 (3.452 contratações). Esse rearranjo fortaleceu a produção nacional de medicamentos.

Foi graça à produção nacional que o Ministério da Saúde conseguiu normalizar o abastecimento de medicamentos usados para intubação em UTIs de hospitais públicos estaduais de pacientes com Covid-19 em estado crítico. Entre julho e agosto foram enviados aos Estados e municípios mais de 4 milhões de unidades desses medicamentos, incluindo produtos requisitados administrativamente pelo governo federal em caráter emergencial.

Acionadas pelo governo, as farmacêuticas nacionais aumentaram a produção de anestésicos, narcoanalgésicos, relaxantes musculares e sedativos. Tudo isso em um cenário em que a disponibilidade de IFAs (Insumos Farmacêuticos Ativos), importados principalmente da China e da Índia, diminuiu em função da pandemia, maior procura pelo produtos no mercado internacional e alta do dólar. A prioridade, como não poderia deixar de ser, foi garantir o abastecimento para salvar vidas.

De ansiolíticos e antidepressivos, vendidos em farmácia e drogarias, aos pré-anestésicos, anestésicos e antibióticos, de uso intensivo em hospitais, a produção foi reorganizada para atender o aumento de demanda sem comprometer a segurança dos trabalhadores que atuam nas linhas de produção.

Além da doação de medicamentos, de alimentos e de equipamentos de proteção individual, o setor farmacêutico suportou o adiamento por 60 dias do reajuste no preço de medicamentos, que passou de abril para junho. Mesmo assim, os investimentos foram mantidos, seja na construção de novas fábricas, na ampliação das instalações já existentes e também para avançar na pesquisa e desenvolvimento de novos produtos. A inovação está no DNA das farmacêuticas de capital nacional e todos os projetos foram mantidos.

A indústria farmacêutica nacional investe em inovação pensando no longo prazo. Antes de chegar às farmácias e aos pacientes, cada inovação ou cada novo medicamento passa por um extenso processo de pesquisa e desenvolvimento, que leva de seis a dez anos. A pesquisa clínica, que se tornou mais conhecida em função dos estudos para a vacina contra a Covid-19, obedece a algumas etapas: começa com a fase pré-clínica, que investiga em laboratórios e testes com animais o potencial terapêutico e os efeitos colaterais do novo produto. Só depois, inicia-se a etapa clínica (três fases), quando o teste é feito em humanos voluntários.

O ano de 2020, principalmente em razão da Covid-19, tem sido de muitos desafios para a indústria farmacêutica de capital nacional. O desafio do combate ao um novo coronavírus, que ainda não está totalmente decifrado pelos cientistas e médicos, mostrou que as farmacêuticas brasileiras estão preparadas e podem atender as demandas, inclusive por meio do desenvolvimento de anticorpos monoclonais para atacar o vírus, como já vem sendo feito na luta contra o câncer e outras doenças.

Um dos principais aprendizados ao longo deste ano, principalmente em função da pandemia, foi deixar claro que o Brasil tem condições de reduzir a dependência dos medicamentos importados, a exemplo do que vem sendo feito em outros países. Nossa experiência em 2020 demonstrou a importância estratégica das empresas nacionais, que, verticalmente, produzem aqui seus próprios insumos básicos. Com regras claras e segurança jurídica, podemos construir uma indústria nacional ainda mais forte.

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