Maia diz que governo não tem mais desculpa e cobra Guedes sobre pauta econômica

Agora é saber se de fato o governo quer fazer entregas ou quer continuar olhando apenas para a sucessão de 1º de fevereiro, afirmou

Brasília

Após o STF (Supremo Tribunal Federal) barrar eventual reeleição da cúpula do Congresso, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), espera que a tensão política possa arrefecer e o governo volte a se empenhar para a aprovação de projetos.

“Acabaram as desculpas. Agora é saber se de fato o governo quer fazer entregas ou quer continuar olhando apenas para a sucessão de 1º de fevereiro”, afirmou o deputado, em entrevista à GloboNews nesta segunda-feira (7).

Maia defende, por exemplo, que a o ministro Paulo Guedes (Economia) retome as negociações para que o Senado vote a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) Emergencial, que prevê medidas temporárias de corte de despesas, e também apoie a reforma tributária, que está na Câmara.

O presidente da câmara deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) e o ministro Paulo Guedes (Economia) - Pedro Ladeira - 11.ago.2020/Folhapress

Para ele, a aprovação desses dois projetos daria uma sinalização ao mercado de que o governo está empenhado para o ajuste nas contas públicas e, ao mesmo tempo, com a simplificação do sistema tributário no país, promover melhoria no ambiente de negócios.

O governo e Maia travam uma batalha nos últimos meses que tem emperrado a agenda de votações na Câmara. O principal motivo dessa disputa é a demonstração de força na Casa diante da eleição legislativa.

Em fevereiro, os deputados vão escolher quem irá suceder Maia no comando da Casa.

Apesar de negar a intenção de se reeleger, Maia e aliados articulavam nos bastidores para tentar viabilizar politicamente mais um mandato para o deputado do DEM. Neste domingo (6), o STF, porém, decidiu, por maioria, que não é permitida reeleição dentro da mesma legislatura.

A legislatura atual começou em fevereiro de 2019 e vai até fevereiro de 2023.

Com Maia fora da disputa, o campo político próximo a ele tenta se manter coeso e busca um candidato que também reúna o apoio das siglas de esquerda. Estão colocados os nomes de Baleia Rossi (MDB-SP), Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), Marcos Pereira (Republicanos-SP) e Luciano Bivar (PSL-PE).

Segundo o presidente da Câmara, todos os pré-candidatos do seu grupo político estão alinhados com a agenda liberal defendida por Maia e por Guedes.

Na avaliação do presidente da Câmara, a intenção do governo de interferir na eleição legislativa está ligada a outras pautas, como a agenda ambiental e de costumes de Bolsonaro.

Maia negou ter algum problema com Guedes, apesar dos sucessivos atritos entre os dois nos últimos meses. Segundo o deputado, há uma devergência sobre as prioridades das votações.

Sobre a possibilidade de prorrogação do auxílio emergencial, Maia defendeu que sejam aprovadas medidas de corte de despesas, que podem render até R$ 40 bilhões, e usar esses recursos para ampliar o Bolsa Família. Ele reforçou o argumento de manutenção do teto de gastos, regra que limita do crescimento das despesas públicas à inflação.

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