Descrição de chapéu The New York Times Natal

O inverno está ótimo na Europa, se você vende árvores de Natal

Grandes produtores sofrem com falta trabalhadores; em novembro, vendas cresceram 31% em comparação com o mesmo período do ano passado

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Londres | The New York Times

Enquanto grande parte do mundo se aninhava em casa nos lockdowns e os dias ficavam mais curtos, plantadores de árvores de Natal como Rory Young aguardavam ansiosamente o mês mais importante do calendário, perguntando-se se os anos de podas, limpezas e capinagem seriam recompensados.

"Ninguém realmente sabia como as pessoas iriam encarar o Natal", disse Young, que colhe cerca de 40 mil árvores de Natal por ano em sua fazenda perto da cidade de Dumfries, na Escócia. "Nós só temos quatro semanas no ano para vender nosso produto."

Há boas e más notícias para os plantadores de árvores como Young. A demanda parece estar em alta, mas o coronavírus criou desafios incomuns.

Funcionários do Mare Street Market, ponto turístico de Londres, enfeitam uma árvore de Natal; em vez de diminuir o espírito festivo, os lockdowns parecem ter alimentado a demanda por árvores natalinas - Andrew Testa - 30.nov.2020/The New York Times

Na Dinamarca, que exporta cerca de 10 milhões das 12 milhões de árvores que produz a cada ano, a oferta de trabalhadores do leste europeu, com que conta a indústria do país, secou. Os comerciantes de árvores também descrevem problemas causados pelas restrições a viagens que afetam o comércio internacional.

Mas não falta espírito festivo. A pandemia parece ter tido o efeito contrário.

"Para ser franco com você, a coisa enlouqueceu totalmente", disse Young sobre a demanda, comentando que as vendas estão cerca de 20% maiores que nos anos anteriores. Os clientes parecem "querer algo para ver o ano acabar em clima positivo", acrescentou ele.

Heather Parry, porta-voz da Associação Britânica de Plantadores de Árvores de Natal, disse que o último fim de semana de novembro foi o mais movimentado já registrado. "A árvore de Natal é um raio de esperança", disse ela.

Os primeiros indícios sugeriam que as vendas de árvores verdadeiras tinham crescido 31% em comparação com o mesmo período do ano passado, e muitos compradores eram novos clientes, acrescentou ela.

Vendedores na França, como Carlos Mourão, gerente da Aux Fleurs de France em Paris, relatou um comércio animado de árvores de Natal, com as famílias indo às lojas no momento em que foram autorizadas a reabrir. "Eu disse a eles que a árvore ficaria seca em três semanas", relatou Mourão. "Eles diziam: 'Não importa, compraremos outra'."

Há uma história semelhante na Alemanha. "Minha primeira impressão é de que está indo muito bem", disse Thomas Emslander, que dirige uma estufa de árvores de Natal na Baviera. Ele comentou que vendeu um número significativamente maior de árvores que de costume no final de novembro.

A indústria fez lobby em alguns países para permitir que os comerciantes continuem trabalhando enquanto outras atividades comerciais são restritas. Mas muitos atacadistas estavam inicialmente cautelosos para receber pedidos.

Claus Jerram Christensen, diretor-gerente da Associação Dinamarquesa de Árvores de Natal, disse: "Pensamos que poderia haver uma demanda maior", já que muito mais pessoas deverão ficar em casa no período de festas. As encomendas foram lentas e erráticas no início, comentou ele, complicadas pelas restrições do coronavírus e a falta de mão de obra, mas hoje a indústria está animada, "se recuperando". Ele disse esperar que os negócios sejam um pouco acima da média da temporada.

Para Stephan Meijer, um comerciante de plantas holandês, os bloqueios ao comércio internacional provocados pelo vírus ainda causam problemas. "Os caminhões são parados na fronteira e eles e os motoristas não podem sair", disse ele. "Esperamos que encontrem uma solução a tempo."

De todo modo, a promessa de uma temporada forte é bem-vinda entre os plantadores, considerando o investimento de tempo e trabalho que exige o negócio. Uma árvore média de 1,80 metro leva cerca de dez anos para crescer, comentou Parry, dos plantadores britânicos. "Você dedica muito trabalho, tira o mato e poda –há muito trabalho aplicado nessas árvores", disse ela.

É claro que ninguém quer uma árvore de Natal em janeiro. "Você põe todos os ovos na mesma cesta em dezembro", disse Parry.

Anne-Sophie Lecoanet carregava uma árvore pequena para casa numa manhã recente em Paris. "Como os tempos estão um pouco tristes, pensei que seria um bom momento" para comprar uma, disse ela.

Uma estudante que mora sozinha, Lecoanet contou que tinha decidido cancelar uma longa viagem para ver sua família no fim do ano por causa do vírus. A árvore a ajudaria de certo modo a passar pelo período de solidão, explicou.

Outros, alguns deles compradores pela primeira vez ou que adquiriram uma árvore maior que o normal, manifestaram sentimentos parecidos sobre esperar que sua compra lhes dê um pouco da alegria tão necessária.

"O cheiro... simplesmente o coloca no clima do Natal", disse Deborah Chow, que vai passar o Natal em Londres pela primeira vez em muitos anos. Rich Pan, seu namorado, concordou. "Só de sair para comprar já entramos num clima festivo."

Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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