Programa quer fomentar startups para solucionar problemas da pandemia na África

Parceria entre Fábrica de Startups e Nações Unidas vai acelerar ideias inovadoras nos países africanos de língua portuguesa

São Paulo

Um hackathon organizado pela Fábrica de Startups, hub de inovação do Rio de Janeiro, em parceria com o Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) está buscando soluções inovadoras para resolver problemas sociais desencadeados pela pandemia em países africanos de língua portuguesa.

A ideia é que empreendedores da Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola, Moçambique e São Tomé e Príncipe proponham e desenvolvam ideias para problemas enfrentados em seus países, como, por exemplo, ajudar trabalhadores informais a retomarem atividades ou digitalizar processos de governança.

Bilhões de pessoas no mundo perderam suas fontes de renda durante a pandemia, o que eleva a desnutrição nos países mais pobres. Segundo o Banco Mundial, no próximo ano, a pandemia poderá levar 150 milhões de pessoas à pobreza extrema.

Presidente-executivo da Fábrica de Startups, Hector Gusmão diz que as ideias surgidas com o hackathon podem estar focadas nas áreas da saúde, educação ou mobilidade, entre outras. "São mercados com problemas enormes, mas cujas soluções têm tudo para serem escaláveis", afirma.

A partir de fevereiro, os participantes serão separados em equipes, que trabalharão de forma online durante seis dias, participando virtualmente de workshops de design thinking, metodologias de inovação e mentoria. Ao final deste período, as equipes vão apresentar as soluções pensadas para uma banca julgadora.

Os candidatos cujas ideias forem aprovadas serão convidadas para uma aceleração, em que receberão suporte e mentoria para saírem do papel. A duração dessa etapa do processo será de três meses.

O plano é que as futuras startups sejam conectadas a investidores no momento adequado em que seus modelos já estiverem desenvolvidos.

Segundo Gusmão, os organizadores buscam quatro perfis entre os participantes: pessoas mais voltadas para negócios, que serão os presidentes-executivos dessas novas startups, outras com experiência em design e marketing, um terceiro perfil com foco em tecnologia e, por último, um mais generalista, que conheça os desafios e mercados trabalhados.

"É um programa de fato inédito e com poder de impacto gigante nessas comunidades, além de conectar o Brasil com os países de língua portuguesa. Vamos acompanhar toda a jornada para que esses empreendedores consigam mergulhar nos problemas, proponham soluções viáveis tecnologicamente e consigam no final sair com modelo validado e escalável, que possa se transformar em uma startup de fato", diz Gusmão.

"Enxergamos que empreendedorismo e inovação serão os motores de desenvolvimento e recuperação das nações. Acho que vamos conseguir deixar como legado um ecossistema mais maduro de empreendedorismo nesses países."

Mais de 15 organizações, entre incubadoras, centros tecnológicos e universidades são parceiras da iniciativa, batizada de e-Voluir.

As inscrições estarão abertas no site criado para o programa a partir da próxima segunda-feira (14) até o dia 7 de fevereiro. O processo será totalmente financiado pelo Pnud em Guiné-Bissau. Para o representante do órgão no país, Tjark Egenhoff, a parceria será também essencial para fomentar o ecossistema de inovação.

“Este não é só um evento isolado, mas sim um convite para repensar, desde a perspetiva da geração jovem interconectada e do espaço digital, como fazer a diferença na busca por soluções para revitalização econômica e social de seus países”, diz.

Durante a pandemia, o Banco Mundial e o FMI (Fundo Monetário Internacional), prometeram dar apoio a países pobres. Seus economistas alertaram sobre a necessidade de essas instituições liberarem ajuda financeira para evitar uma catástrofe humanitária, mas o apoio dado não foi considerado significativo.

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