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Instabilidade desde 2014 tornou insustentável para Ford manter fábricas no Brasil

É mais vantajoso para a montadora apostar em Argentina e México para abastecer América Latina

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São Paulo

O fim da produção de veículos Ford no Brasil é um movimento estudado pela montadora desde muito antes da pandemia de Covid-19. Se dependesse da matriz americana, o encerramento já teria ocorrido.

A instabilidade começou na crise de 2014 e seguiu até se tornar incontornável, não sem seguidos sinais de que era mais vantajoso apostar na Argentina e no México para abastecer os principais mercados da América Latina.

Os motivos são conhecidos. Os custos de produção no Brasil e sua complexa carga tributária só justificam a manufatura local de veículos diante de um grande volume de vendas conciliado à estabilidade monetária. Sem isso, a indústria segue um ciclo contínuo de planos de incentivo pontuais que não têm desfecho nem transição.

Nessa lógica, as perdas de alguns anos eram compensadas nos seguintes, com maior ou menor prejuízo para indústria e consumidores. Mas esse ciclo se quebrou.

Com a retração do mercado interno, a desvalorização do real e as constantes mudanças de regras para a indústria automotiva, as matrizes aumentaram a pressão e reduziram o poder de negociação das filiais instaladas no Brasil.

No cenário atual, torna-se desvantajoso manter a produção de veículos de baixo valor agregado –no caso, os modelos Ka e EcoSport. Em uma conta que deve ter sido feita pela matriz americana, um compacto 1.0 brasileiro seria vendido por aproximadamente US$ 10 mil na cotação atual e teria uma carga tributária elevada.

Enquanto isso, o carro zero-quilômetro mais em conta dos EUA, o diminuto Chevrolet Spark, custa por volta de US$ 14,5 mil e não tem impostos tão pesados.

Esse é um grande problema para o Brasil, pois o grosso do volume de sua produção é baseado em modelos pouco rentáveis, enquanto Argentina e México, parceiros comerciais, exportam modelos de maior valor agregado.

O Brasil tem capacidade para fazer veículos mais caros tanto em mão de obra como em instalações, mas a falta de competitividade da indústria instalada é outro limitador.

Os incentivos que levaram à chegada de novas fábricas nos últimos 25 anos não contemplaram os nós que impediram o país de se tornar também um bom exportador, se limitando a atender mercados vizinhos ou nações igualmente carentes. A conta está chegando agora, com o agravamento da crise causado pela pandemia.

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