Descrição de chapéu Financial Times

Marca de botas Dr. Martens quer entrar na Bolsa de Londres

Símbolo do movimento punk, marca esteve perto da falência com mudanças da moda na virada do milênio

Londres | Financial Times

A clássica marca britânica de botas Dr. Martens planeja abrir seu capital na bolsa de valores de Londres, no que pode se tornar uma das ofertas públicas iniciais de ações mais importantes de 2021.

A companhia, que vende mais de 11 milhões de pares de sapatos por ano, em mais de 60 países, foi adquirida em 2013 pelo grupo de capital privado Permira, em uma transação de 300 milhões de libras (R$ 2,2 bilhões). O grupo de investimento, que controla cerca de 75% da Dr. Martens, planeja colocar no mercado ações equivalentes a pelo menos 25% do capital da companhia.

“A marca sempre foi muito maior do que o negócio, mas nos últimos anos conduzimos o negócio a um patamar completamente diferente”, disse Kenny Wilson, o presidente-executivo da empresa, ao Financial Times.

Par de botas da Dr. Martens em uma loja da marca em Londres, Reino Unido - Simon Newman/Reuters

A Dr. Martens, que expandiu sua linha de produção e agora também vende mocassins e sapatos de salto alto, registrou vendas de 672 milhões de libras (R$ 4,9 bilhões) nos 12 meses até março de 2020, e lucros anteriores aos impostos de 101 milhões de libras (R$ 748 milhões). O grupo opera 130 lojas em todo o mundo, mas pouco mais de metade de sua receita vem de vender sapatos a grupos de varejo.

Sua loja online, encarada como “o principal propulsor de crescimento nos próximos anos”, respondeu por um quinto de suas vendas no ano passado. As operações digitais da marca a ajudaram durante a pandemia, a despeito de a maioria de suas lojas ter sido forçada a fechar por conta de sucessivos lockdowns.

A Dr. Martens anunciou ter vendido 700 mil botas a mais nos seis meses até setembro de 2020 do que no período comparável em 2019, uma alta de 14%. Durante o período, ao longo do qual a maior parte de suas lojas físicas ficou fechada, as receitas online subiram em 74%.

A marca foi lançada na moda britânica pela família Grigg, na década de 1960; eles adquiriram a licença para produzir o hoje clássico modelo 1460, com oito ilhoses, acreditando que o design resistente ajudaria a criar um calçado de trabalho excelente.

Em lugar disso, o modelo, criado por um médico do exército alemão chamado Klaus Märtens, que projetou a sola dotada de amortecedores a ar com o objetivo de aliviar as dores nas costas, foi adotado pelos skinheads e punks, cimentando o calçado como símbolo da cultura da rebeldia juvenil.

Mas as coisas nem sempre transcorreram bem para a companhia. Uma mudança nas preferências de moda na virada do milênio deixou a empresa perto da falência, antes de suas botas recuperarem a popularidade.

“Sete anos atrás, a companhia operava sob controle familiar [e], quando você contempla seus altos e baixos, é como se estivesse vendo empresas diferentes”, disse Wilson. “A marca sempre foi relevante, mas o negócio não era bem gerido”, ele acrescentou.

A família Grigg deixou a empresa em 2013, ao vender sua participação para a Permira. Por boa parte de 2020, a companhia estudou a possibilidade de vender a companhia ou abrir seu capital, uma transação que os executivos do grupo especializado em aquisições que controla a empresa esperam venha a ser uma das mais lucrativas de sua história.

O grupo de capital privado Carlyle, que vendeu a Golden Goose, fabricante de tênis de luxo, à Permira por pouco menos de 1,3 bilhão de euros (R$ 8,6 bilhões) em fevereiro, havia considerado adquirir a Dr. Martens, de acordo com pessoas informadas sobre o assunto.

A Dr. Martens contratou o Goldman Sachs e Morgan Stanley como coordenadores conjuntos da transação, e o Barclays, HSBC, Merrill Lynch e RBC Europe como “bookrunners”. O banco Lazard serve como consultor financeiro da companhia.

Tradução de Paulo Migliacci

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