Descrição de chapéu Financial Times Brexit

Transações com ações da UE fogem de Londres no primeiro dia pós-brexit

Negócios são reorientados para polos europeus recém-criados e bolsas primárias

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Londres | Financial Times

O mercado financeiro londrino começou a sentir os efeitos do brexit no primeiro dia de atividade dos mercados em 2021; as transações com ações da União Europeia deixaram a City de Londres e se transferiram a outras capitais europeias.

As transações com ações como as do Santander, Deutsche Bank e Total foram transferidas de volta às bolsas primárias, no caso as de Madri, Frankfurt e Paris, de acordo com os dados iniciais da Refinitiv –uma mudança abrupta para os investidores em Londres, que se acostumaram a negociar ações europeias sem restrições relacionada a fronteiras.

Os mercados que concentravam as negociações de ações denominadas em euros em Londres, entre os quais as bolsas Cboe Europe, Turquoise e Aquis Exchange, transferiram rapidamente suas atividades aos novos polos estabelecidos no final do ano passado na União Europeia, para acomodar o final do período de transição para o Brexit.

O premiê do Reino Unido, Boris Johnson, em sessão do Parlamento britânico
O premiê do Reino Unido, Boris Johnson, em sessão do Parlamento britânico - Jessica Taylor - 2set.20/UK Parliament/Reuters

“É uma prova de que os anos de trabalho duro valeram a pena, o fato de que todos estejam preparados e tudo esteja acontecendo de maneira muito suave”, afirmou a Aquis.

A Cboe Europe anunciou que cerca de 60% de suas transações totais agora acontecem em Amsterdã, ante uma porcentagem muito pequena no ano passado. A Aquis disse que “virtualmente todas” as transações com ações denominadas em euro haviam sido transferidas a Paris, a partir da segunda-feira (4). A bolsa Turquoise, controlada pelo London Stock Exchange Group, viu a maioria de seus negócios na União Europeia transferidos a Amsterdã. Poucos negócios haviam sido realizados nos novos polos de operações antes do final do período de transição.

“Todos os nossos sistemas estão operando normalmente e, como esperado, a maior parte das atividades com títulos da EEA [área econômica europeia] agora acontece em nossas instalações holandesas, com atividades em todos os nossos segmentos de mercado”, disse David Howson, presidente da Cboe Europe.

Por décadas, os sistemas de operações e os grandes bancos de investimento instalados em Londres ocuparam posições centrais nas transações transnacionais de ações, e até 30% de todas as ações da União Europeia negociadas no continente passavam pela City.

Mas o acordo comercial entre o Reino Unido e a União Europeia em geral omitiu os serviços financeiros. O primeiro-ministro britânico Boris Johnson admitiu que o acordo não havia realizado suas ambições em termos de serviços financeiros. A União Europeia se recusou a reconhecer a maioria dos sistemas regulatórios do Reino Unido como “equivalentes” aos seus, forçando todas as transações denominadas em euros a se transferirem de volta ao território do bloco.

Com os serviços financeiros excluídos das negociações comerciais entre o Reino Unido e a União Europeia, os executivos responsáveis por transações de ações em Londres esperavam pouco das autoridades regulatórias da União Europeia e estavam preparados há anos para trabalhar como se o Reino Unido tivesse saído da União Europeia “sem acordo”.

Bruxelas busca fiscalizar mais firmemente todos os ativos denominados em euro e está ávida por reduzir sua dependência quanto à City de Londres como fonte de financiamento, uma atividade econômica que as autoridades europeias consideram estrategicamente importante para o bloco.

Lobbies do setor financeiro dos dois lados da disputa instaram a União Europeia e o Reino Unido a expandir rapidamente o acordo comercial e chegar a um acordo sobre padrões comuns de fiscalização. Os dois lados estão tentando preparar até o final de março um memorando de entendimento sobre cooperação futura nos serviços financeiros, embora isso não tenha a mesma força legal que um tratado internacional.

Enfatizando que a União Europeia e o Reino Unido eram jurisdições separadas, as autoridades regulatórias da União Europeia também cancelaram o registro de quatro repositórios de informações comerciais –centrais de dados que oferecem informações sobre derivativos e sobre títulos financeiros às autoridades– e de seis agências de classificação de crédito sediados no Reino Unido. As companhias e entidades da União Europeia agora terão de utilizar entidades baseadas em territórios do bloco econômico.

Tradução de Paulo Migliacci

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