Cinco dicas de Obama para empresário se tornar um bom líder

Ex-presidente americano falou em evento de inovação digital em SP

Barack Obama em palestra em São Paulo
Barack Obama em palestra em São Paulo - Divulgação
 
Fernanda Reis
São Paulo

Quando deixou de ser presidente dos Estados Unidos, em 2017, Barack Obama se perguntou: o que fazer da vida depois de chegar ao auge da carreira? Após refletir, concluiu que deveria se dedicar à formação de jovens líderes pelo mundo. A partir de então, é o que tem feito.

Em palestra no evento de inovação digital e negócios Vtex Day, realizada na última quinta (30), em São Paulo, o americano deu algumas dicas de liderança que aprendeu quando foi presidente e que, em sua opinião, são aplicáveis para empresários. 

Construa equipes diversas
Por meio da inteligência artificial, máquinas podem aprender a fazer muitas coisas. Mas nunca conseguirão substituir duas características de um bom chefe: a capacidade de pensar criativamente e de trabalhar em equipe.

Um líder só é bom quando tem uma equipe à altura, diz ele. Para isso, diversidade é essencial. “Nos negócios, você precisa ter gente que traga perspectivas e experiências diferentes. Eu sabia que estava fazendo algo certo quando tinha alguém discordando de mim”, afirma. 

“É importante ter mulheres à mesa, pessoas com histórias diferentes, raças diferentes. Todos temos pontos cegos.”

Aprenda a fazer perguntas
Para Obama, um chefe não deve ter medo de trabalhar com gente mais inteligente que ele. “Muitos acham que um bom líder tem as respostas. Eu acho que ele tem boas perguntas”, afirma ele.

O dono de uma empresa nunca será especialista em tudo. Assim, precisa tirar o melhor de sua equipe de experts para tomar decisões. 

Quando sua equipe lhe contou que haviam encontrado Bin Laden, ele não tinha como ter certeza de que a localização estava correta. Confiava, porém, no processo que havia criado para tomar decisões com base nas informações e cenários apresentados por seu time.

Busque inspiração em outros cantos do mundo
Nem todos os países têm polos como o Vale do Silício, nos Estados Unidos, onde há um ecossistema de capital para investimento em startups e boas universidades. Mas, mesmo longe, é possível aproveitar as inovações dessas regiões.

“Ideias não são limitadas pela geografia. Elas viajam mais rápido que as pessoas”, afirma. Ele diz ter visto na China, por exemplo, empresas mais inovadoras que as americanas, criadas por gente que se inspirou no Vale do Silício. 

Só é preciso pesquisar. Onde quer que você esteja, se tiver acesso a um computador com internet, pode fazer parte da revolução tecnológica.

Saiba que seu negócio não existe numa bolha
Antes de dar o conselho, Obama ressalta que acredita no capitalismo. “Não quero destruir a inovação, a criatividade e a liberdade que vêm com o mercado”, diz. 

De nada adianta, porém, criar um aplicativo incrível e aprimorar a realidade virtual se, no mundo real, o ar está poluído. Empresários devem se preocupar em construir uma sociedade melhor e preservar o ambiente.

Pensar nisso é um investimento, diz. Países com governos fracos são ruins para o negócio: não têm mercado nem mão de obra boa. “Somos tão obcecados com dinheiro e com o ‘market share’ da empresa que nos esquecemos dessas condições que fazem um negócio ser bem-sucedido. É um erro.”

Não tenha medo do fracasso
Quem tem sucesso tem sorte. “Poucas pessoas alcançam coisas sozinhas”, diz Obama. “Mas há um ditado americano que diz: quanto mais você trabalha, mais sorte tem.”

Só é bem-sucedido quem trabalha duro e se arrisca. “Digo para os jovens que é bom testar, mesmo sem sucesso. As cicatrizes são lições.” 

É normal ter medo de falhar, diz, mas ele encoraja as pessoas a tentarem fazer aquilo que nunca foi feito. “Se não der certo, te preparará para a próxima etapa da jornada.”

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