Saiba como atrair clientes e alavancar sua loja na internet

Para ganhar visibilidade, marca pode se unir a marketplace e influenciadores

Andrea Vialli
São Paulo

De uma hora para outra, muitos empreendedores tiveram que digitalizar seus negócios e aprender como atrair a atenção dos consumidores no mundo virtual.

A empresária Pricila Luisa Santos, 38, dona da loja de roupas Estilo Pri, em Brasília, correu para encontrar uma estratégia digital no início da pandemia, quando viu suas vendas caírem mais de 90%.

Em dois dias, ela montou o seu ecommerce na plataforma Bagy, que permite a pequenos varejistas digitalizar o negócio. No primeiro mês com a venda virtual, atingiu um faturamento de R$ 110 mil.

"Ainda não recuperei o mesmo patamar que tinha antes, mas a loja online tem sido fundamental para divulgar a marca", diz.

Ela também reforçou a exposição de produtos no Instagram, onde tem mais de 300 mil seguidores, e passou a impulsionar posts, com o intuito de alcançar consumidores de outros estados.

Para alavancar a loja virtual, o empresário deve estar atento às estratégias de divulgação da marca e dos produtos em três passos, segundo o especialista em ecommerce Pedro Rabelo, fundador da Bagy.

O primeiro é comunicar à clientela sobre o início das vendas online. Isso pode ser feito pelas ferramentas tradicionais de email marketing e WhatsApp e também pelas redes sociais da loja —caso elas ainda não existam, será necessário criá-las.

O segundo passo, então, é impulsionar o conteúdo por meio das próprias ferramentas existentes nessas plataformas. Esse recurso aumenta o alcance original de uma publicação, fazendo com que ela seja exibida para pessoas potencialmente interessadas naquele conteúdo.

Tanto o Facebook quanto o Instagram permitem escolher a forma como a publicação será promovida, o público a ser impactado (com base em critérios como idade, gênero e região) e o investimento que se deseja fazer por um determinado período —é possível começar com R$ 20/dia.

O terceiro passo é publicar vídeos sobre temas relacionados à empresa. Eles podem mostrar os bastidores da produção ou dar dicas de como um produto pode ser usado —no caso de uma roupa, é possível apresentar diferentes looks com a peça.

Nesse contexto, a parceria com influenciadores também pode ser interessante para aumentar o alcance e dar credibilidade à loja online. É importante, porém, que o parceiro esteja alinhado com o perfil do público-alvo, o posicionamento da marca e a região geográfica que se deseja atingir.

Para quem tem estratégias digitais ainda tímidas, um ponto de partida pode ser relacionar a loja online a um marketplace.

"Apostar apenas no próprio ecommerce pode trazer clientes localmente, mas se associar a um marketplace conhecido traz maior visibilidade para o empreendedor", diz Rogério Guimarães, diretor de tecnologia e inovação da consultoria Crowe.

O empreendedor deve ficar atento à porcentagem das vendas que fica com o marketplace, que pode variar de acordo com a categoria do produto, e a outros fatores, como a existência ou não de lojas físicas. Em média, a comissão fica entre 10% e 20%.

Antes de escolher, também é preciso observar qual é o grau de segurança do site e dos meios de pagamento utilizados.

O ecommerce próprio e uma forte presença no Instagram foram as ferramentas utilizadas pela Brota, empresa criada no início de 2020, para divulgar o seu produto, que também é novo no mercado.

Trata-se de uma horta projetada para o cultivo dentro de apartamentos. O sistema tem seis espaços para o encaixe de cápsulas onde crescem até 12 opções de plantas, como alface, rúcula, hortelã, manjericão e tomate-cereja. Cada cápsula vem com um algodão especial que concentra os nutrientes necessários para o desenvolvimento da muda.

"Desde o início buscamos produzir um conteúdo que, ao mesmo tempo, esclarecesse como utilizar o produto e nos aproximasse da clientela", diz Rodrigo Farina, 23, sócio fundador da Brota.

A startup tem como alvo mulheres entre 24 a 34 anos interessadas em culinária e sustentabilidade. Para atingir esse público, usa o tráfego pago do Instagram e as ferramentas de impulsionamento do Google e do Youtube.

A empresa também faz a divulgação das hortas em parceria com influenciadores, como os atores Felipe Simas e Poliana Aleixo, além de pessoas ligadas à gastronomia.

Caixa branca com buracos de onde saem ramos de plantas, em estante
A horta comercializada pela startup Brota - Divulgação

O site da empresa, além do ecommerce, tem uma área de conteúdo educativo, que inclui um blog e manual de instruções para quem deseja começar a plantar em casa.

"Com o site e a estratégia de impulsionamento pelas redes sociais, conseguimos superar a expectativa inicial, que era vender 600 unidades nos dois primeiros meses. Foram quase 3.000 hortas vendidas no período", diz Rodrigo.

A Brota, que começou com uma campanha de financiamento coletivo, vendeu 8.000 unidades até agora e está buscando investidores para potencializar o negócio.

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