Marcas veganas de limpeza usam fórmulas naturais em seus produtos

Empresas descartam ingredientes de origem animal e rejeitam testes em bichos

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São Paulo

Mais difundidas nos setores de alimentação e cosmético, práticas sustentáveis têm modificado também o modelo de produção de material de limpeza. O movimento abre espaço para empresas que investem em fórmulas naturais, sem ingredientes de origem animal e que rejeitam testes em bichos.

É o caso da Yvy, que tem uma linha de oito produtos, como desinfetante e desengordurante, comercializados em cápsulas. Insumos como laranja e óleo essencial de eucalipto são usados no lugar de ativos sintéticos, como aqueles derivados de petróleo.

Marcelo Ebert segura um produtos de limpeza de cor verde, que está dentro de uma cesta de palha. Ao lado, há sprays de embalagem transparente. Marcelo é um homem branco e veste uma camisa laranja.
O empresário Marcelo Ebert, fundador da Yvy, que vende produtos de limpeza veganos em cápsulas retornáveis - Keiny Andrade/Folhapress

Benjamin Rosenthal, professor da FGV-Eaesp (Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas), afirma que a busca por produtos veganos pode ser motivada por questões coletivas, como o combate a exploração animal, ou individuais, como alergias que impedem o uso de alguns componentes químicos.

A escolha por esse tipo de matéria-prima exige planejamento, e os custos podem ser mais altos, afirma Marcelo Ebert, 46, cofundador da Yvy. Ele ressalta, contudo, que o impacto no preço final é compensado pelas despesas menores com frete.

Os produtos da Yvy funcionam por meio de cápsulas que o cliente acopla a uma embalagem reutilizável da marca, enchendo-a com água. As cápsulas vazias podem ser devolvidas à empresa, que envia o material para reciclagem.

Segundo seu cofundador, um dos maiores desafios é explicar a ação do produto, que nem sempre funciona da mesma maneira que o convencional. "O produto sintético faz muita espuma, e o vegetal nem tanto. Não é a espuma que limpa, mas tem quem ache o natural pior porque pensa que, se não faz espuma, não limpa."

Outra dificuldade enfrentada por negócios do segmento é criar uma rede de clientes, explica Rosenthal, que também é especialista em cultura de consumo. Isso, diz ele, pode ser feito com a publicação de conteúdos temáticos nas redes sociais que abordem sustentabilidade e veganismo, mas também mostrem os bastidores da produção, por exemplo.

No caso da Yvy, as vendas são feitas majoritariamente pela internet, e a marca trabalha também com um opção de assinatura, atualmente com 10 mil assinantes. O plano "limpeza para quem mora sozinho", por exemplo, com nove cápsulas, custa R$ 84,62.

A Yvy tem hoje 25 funcionários e produz cerca de 100 mil cápsulas por mês. No ano passado, registrou faturamento de R$ 6 milhões.

Enio Pinto, gerente de relacionamento com o cliente do Sebrae, avalia que, ainda que não seja tão popular quanto outros segmentos do mercado vegano, o setor de material de limpeza é promissor e pode crescer. "Sinalizar que o negócio está alinhado a práticas sustentáveis atrai público."

Marca de produtos de limpeza e de higiene pessoal, a Positiv.a está em 700 pontos físicos no Brasil e vende diretamente a empresas, mas sua principal plataforma é a internet. Somando todos os canais, cerca de 18 mil itens foram vendidos no primeiro trimestre deste ano.

As fórmulas contêm principalmente laranja e coco, matérias-primas fornecidas por pequenos agricultores parceiros. A marca tem 87 produtos certificados pela SVB (Sociedade Vegetariana Brasileira), a exemplo de uma bucha vegetal e de um esfregão produzido com rede de pesca. No ano passado, a Positiv.a cresceu 50% em relação a 2020.

Para Marcella Zambardino, 35, cofundadora, o diferencial da marca é a busca por práticas sustentáveis do início ao fim da produção. "Nenhum ser vive sem água, então como eu posso ter um produto que não foi testado em animais, mas que contém ingredientes que poluem o ambiente?"

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