JAMES OLIPHANT
DA REUTERS

Para o presidente Donald Trump, este fim de semana deveria ser uma celebração.

No primeiro aniversário de sua Presidência neste sábado (20), com as bolsas de valores rugindo e sua aprovação finalmente subindo, ele planejava descansar em sua propriedade em Mar-a-Lago, na Flórida, festejado por amigos e admiradores.

Em vez disso, Trump ficou em Washington depois de não conseguir reverter uma paralisação do governo.

A derrota na tentativa de provar uma extensão provisória do orçamento arruinou a imagem que ele criou para si de um homem de negócios que repararia uma cultura fracassada em Washington.

Mesmo que a Casa Branca tenha começado a culpar os democratas pelo congelamento, foi o presidente republicano que ficou sob o tiroteio.

"É quase como se você estivesse apoiando uma paralisação", o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, disse sobre Trump no sábado.

Trump, que em julho de 2016 disse: "Ninguém conhece o sistema melhor do que eu, e é por isso que eu posso consertá-lo sozinho", já garantiu que paralisações anteriores eram culpa de quem estava na Casa Branca.

Em 2014, numa entrevista ao "Fox & Friends" depois de uma paralisação semelhante, ele disse que o ex-presidente Barack Obama era o principal responsável pela situação.

"Os problemas começam no topo e precisam ser resolvidos no topo", disse Trump. "O presidente é o líder, e ele tem que reunir todo mundo em uma sala e liderar."

Enquanto esta nova paralisação, a primeira desde 2013, parecia se confirmar na sexta-feira (19), Trump fez um último esforço para se comportar como o resolvedor de problemas que ele sempre afirmou ser.

Primeiro, ele adiou a viagem, há muito planejada, no fim de semana para Mar-a-Lago, iria comemorar neste sábado (20) seu primeiro ano de mandato.

Ele não tinha escolha. Críticos iriam massacrá-lo por participar de um evento desses enquanto servidores do governo estariam sendo dispensados e diversos serviços públicos cortados.

Então Trump telefonou para Schumer e, depois de uma conversa positiva, o convidou para uma reunião na Casa Branca. Foi um encontro fechado —só o presidente, o líder democrata e seus principais assessores. Líderes republicanos ficaram de fora. A ideia era achar um terreno em comum. Durou 90 minutos.

SEM ACORDO

Uma pessoa a par dos acontecimentos disse que dois homens concordaram em buscar um grande acordo em que os Democratas conseguiriam evitar a deportação de cerca de 700 mil "dreamers" —filhos de imigrantes trazidos para EUA ainda crianças— e Trump conseguiria mais recursos para construir um muro na fronteira e reforçar a segurança para evitar imigrantes ilegais vindos do México.

No início da noite, no entanto, esse plano tinha fracassado. Uma fonte disse que Trump conversou, nesse meio-tempo, com republicanos conservadores e acabou cedendo a suas objeções em negociar com Schumer.

"Ele não pressionou seu partido a aceitar [o acordo]", Schumer afirmou depois.

O dia parecia parte de um padrão que levou os Democratas a uma distração. Trump cortejou o apoio da oposição e sugeriu flexibilidade, apenas para firmar sua ligação com parlamentares mais conservadores.

Isso aconteceu em setembro, após o presidente ter cortado um acordo de financiamento com Schumer e com Nancy Pelosi, líder dos Democratas na Câmara.

Semanas depois, quando Schumer e Pelosi pensaram que tinham chegado um acordo para preservar um programa de proteção aos "dreamers", fontes no Congresso afirmaram que Trump recuou.

A tensão durou até o início deste mês, quando o senador republicano Lindsey Graham e o democrata Dick Durbin chegaram a um acordo bipartidário sobre imigração.

Eles acreditam que Trump sinalizou que apoiaria o projeto. Porém em uma reunião explosiva no Salão Oval, Trump atacou o acordo.

Um senador democrata alegou que Trump disse que os Estados Unidos precisavam receber menos imigrantes do Haiti e de países africanos, referindo-se a eles como "países de merda". Trump negou ter usado essa expressão, mas a controvérsia estragou as negociações.

Ambos os lados se sentiram traídos, e as mudanças de Trump confundiram o líder Republicano no Senado, Mitch McConnell, a ponto de ele dizer na semana passada que ele não conseguia entender a posição do presidente nesse assunto.

A confiança acabou definitivamente quando Trump apareceu para criticar a extensão provisória do orçamento no Congresso que, horas antes, a Casa Branca havia apoiado.

Membros de ambos os partidos culparam uns aos outros pela paralisação, mas parte da culpa pousou sobre o presidente.

"Donald Trump é incapaz de levar adiante esse tipo de diálogo intrincado", disse a repórteres John Yarmuth, democrata sênior no Comitê de Finanças da Câmara.

"Ele não tem capacidade de concentração para fazer isso. Ele não tem interesse em fazer isso. Tudo o que ele quer fazer é mostrar que está engajado no processo."

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