Em feito histórico, Kim Jong-un cruza divisa para cúpula com sul-coreano

É a primeira vez desde a cisão da península que um líder do Norte atravessa zona desmilitarizada

Kim Jong-un aparece de blazer preto, enquanto Moon Jae-in, que sorri, usa terno azul marinho, gravata azul e camisa branca; ao fundo, uma das escadarias de acesso a Panmunjom
O líder norte-coreano, Kim Jong-un, cumprimenta o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, ao chegarem à vila de Panmunjom, na zona desmilitarizada entre os dois países - Reuters
Panmunjom | AFP, Associated Press e Reuters

De mãos dadas, o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un, e o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, cruzaram nesta sexta-feira (27, noite de quinta no Brasil) a linha demarcatória na zona desmilitarizada na península Coreana para a primeira cúpula entre os países em 11 anos.

Em encontro cheio de símbolos em Panmunjom, a vila de casas azuis na zona desmilitarizada que serve de sede às negociações intercoreanas, os dois se cumprimentaram às 9h20 (21h20 de quinta em Brasília), até que Kim puxou Moon de improviso para o lado norte-coreano para cruzar a linha de volta com ele.

Foi a primeira vez em que um líder norte-coreano atravessou a divisa desde a Guerra da Coreia, iniciada em 1950 e nunca oficialmente encerrada (em 1953, os dois países assinaram um armistício).

"Fico feliz em conhecê-lo", disse o presidente sul-coreano ao ditador. Ambos sorriram.

Os líderes foram acompanhados por uma banda militar até a Casa de Paz, onde foi assinado o armistício de 1953. No livro de visitas, Kim escreveu: "Uma nova história começa agora, o ponto de partida de uma era de paz."

Posaram para fotografias e entraram em uma sala, onde fizeram declarações rápidas à imprensa antes de iniciarem a etapa das negociações de portas fechadas, que não havia terminado até a conclusão desta edição.

"Estamos na linha de largada, onde uma nova história de paz, prosperidade e relações intercoreanas é escrita", disse Kim, pedindo a Moon que não se repitam os erros de negociações passadas: "Em vez de criar resultados que não seremos capazes de manter, devemos ter resultados vindos de uma conversa franca sobre diferentes temas de interesse".

"Espero que sejamos capazes de falar francamente e chegar a um acordo que dê um grande presente aos coreanos e às pessoas em todo o mundo que desejam a paz", respondeu Moon.

A última cúpula das Coreias ocorrera em 2007, com o sul-coreano Roh Moo-hyun e o norte-coreano Kim Jong-il, pai do atual ditador, em Pyongyang. Antes, o mesmo Kim recebera, em 2000, o então líder sul-coreano Kim Dae-jung.

O principal ponto da negociação entre os governos é o programa nuclear da Coreia do Norte. O regime comunista diz ter interesse na desnuclearização da península Coreana e se comprometeu no sábado (21) a não realizar mais testes atômicos, mediante garantias ainda não especificadas.

A cúpula serve ainda de preâmbulo a outro encontro histórico, de Kim com o presidente americano, Donald Trump, em cerca de um mês em local não definido. A expectativa de Pyongyang é que as cúpulas e a suspensão de seu programa nuclear levem à retirada de sanções contra a combalida economia do país.

Em nota, o governo americano afirmou ter esperanças de que as negociações progridam e levem a um futuro de paz e prosperidade em toda a península, reiterando a reunião com Trump.

O encontro deste 27 de abril é o ápice da distensão iniciada com um discurso de 1º de janeiro por Kim e continuada com a participação de atletas do Norte e de uma equipe mista na Olimpíada de Inverno no Sul, na qual Kim Yo-yong, irmã do ditador, assistiu à cerimônia de abertura.

O movimento segue-se a um 2017 em que o regime fez o mais potente de seus testes nucleares e lançou um míssil de alcance intercontinental, causando temor em Seul e levando os EUA a reforçarem suas tropas na região.

Apesar do bailado diplomático, o chefe de gabinete sul-coreano, Im Jong-seok, prevê uma negociação difícil. "Chegar a um acordo com os programas [nucleares] tão avançados será diferente do tipo de acordo dos anos 1990 e 2000."

Nesta quinta (26), Trump disse que ainda não está claro se haverá encontro dele com Kim. “Poderia ser que essa reunião não chegue a se realizar. Quem sabe. Mas eu posso dizer agora que eles querem se reunir conosco.”

Horas depois, a Casa Branca divulgou duas fotos do secretário de Estado americano, Mike Pompeo, quando ainda era o diretor da CIA (a agência de inteligência americana) apertando a mão de Kim Jong-un em Pyongyang

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