Tentativa de assassinato virou minha vida de cabeça para baixo, diz Iulia Skripal

Em entrevista à Reuters, filha de ex-espião diz que quer voltar para a Rússia 'no longo prazo'

Iulia Skripal durante entrevista em Londres - Dylan Martinez/AP
Londres | Reuters

Iulia Skripal, que foi envenada junto com o pai, o ex-espião russo Sergei Skripal na Inglaterra, disse em entrevista exclusiva à agência Reuters, nesta quarta-feira (23) que a tentativa de assassinato "virou sua vida de cabeça para baixo".

O governo britânico culpou a Rússia pelo envenenamento de pai e filha com a substância neurotóxica Novitchok. Ainda assim, Iulia disse que pretende voltar ao seu país natal "no longo prazo".

"O fato de um agente neurotóxico ter sido usado é chocante", afirmou. 

Os Skripal foram encontrados inconscientes em um banco de uma praça na cidade de Salisbury em 4 de março.

Iulia, 33, ficou em coma por 20 dias. Desde que foi liberada do hospital, em 10 de abril, é a primeira vez que fala com a imprensa.

"Acordei com a notícia de que nós dois tínhamos sido envenenados", disse ela.

A moça falou com a Reuters em um local secreto em Londres, já que está sob proteção do governo britânico. 

"Temos tanta sorte de termos sobrevivido a essa tentativa de assassinado. Nossa recuperação tem sido lenta e extremamente dolorosa", afirmou. 

"Enquanto tento entender as mudanças drásticas impostas a mim tanto física quanto emocionalmente, vivo um dia de cada vez e quero cuidar do meu pai até sua total recuperação. No longo prazo, espero voltar para meu país." 

Iulia falou em russo e forneceu à agência uma nota que ela disse ter escrito em russo e em inglês. Após fazer sua declaração, ela assinou ambos os documentos e se recusou a responder outras perguntas. 

O porta-voz do Kremlin Dmitri Peskov afirmou crer que Iulia falou sob pressão. "Não a vimos nem falamos com ela", afirmou. 

O embaixador russo em Londres, Alexander Yakovenko, pediu repetidamente para ver Iulia, que é cidadã russa. 

"Agradeço as ofertas de ajuda da Embaixada da Rússia. Mas no momento não desejo fazer uso de seus serviços", afirmou. "Também gostaria de reiterar o disse antes em comunicado, que ninguém fala por mim nem por meu pai exceto nós mesmos." 

"Não quero descrever os detalhes, mas o tratamento clínico foi invasivo, dolorido e deprimente", afirmou ela ainda. 

Serguei Skripal, 66, foi liberado do hospital em 18 de maio. 

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