Descrição de chapéu The New York Times

Asiáticos acusam Harvard de discriminação durante seleção de alunos

Candidatos vão à Justiça reclamar de critério de personalidade; universidade nega preconceito

Os remadores estão em dois barcos vermelhos paralelos: um com cinco estudantes e outro com três. Campus é composto por prédios de tijolos vermelhos e janelas com bordas brancas. Do lado esquerdo, entre árvores sem folhas, aparece uma torre branca com cúpula verde.
Remadores passam pelo rio Charles ao lado do campus da Universidade Harvard, em Cambridge, Massachusetts - Charles Krupa - 7.mar.17/Associated Press
Anemona Hartocolis
Nova York | The New York Times

Harvard dá constantemente notas mais baixas aos candidatos asiático-americanos do que aos de outras raças em traços como "personalidade positiva", simpatia, coragem, gentileza e ser "amplamente respeitados".

A constatação é resultado de uma análise de mais de 160 mil registros de estudantes e foi apresentada nesta sexta-feira (15) a um tribunal federal em Boston por um grupo que representa estudantes asiático-americanos em uma ação contra a universidade.

Os asiático-americanos tiveram notas mais altas que os candidatos de qualquer outro grupo racial ou étnico em critérios de admissão como notas em provas, classificação e atividades extracurriculares, segundo a análise encomendada por um grupo que é contra todos os critérios de admissão baseados em raças.

Mas as notas pessoais dos estudantes reduziram drasticamente suas probabilidades de ser admitidos, de acordo com a análise.

"Hoje Harvard pratica o mesmo tipo de discriminação e estereotipagem que usou para justificar cotas para candidatos judeus nos anos 1920 e 1930", disse o grupo Estudantes por Admissões Justas.

Os próprios pesquisadores de Harvard citaram um preconceito contra candidatos asiático-americanos em uma série de relatórios internos em 2013. Mas a universidade ignorou as conclusões, segundo os documentos do tribunal, e nunca os divulgou.

Esses e outros detalhes fazem parte de uma ação que acusa Harvard de sistematicamente discriminar os asiático-americanos, violando a lei de direitos civis.

Segundo os Estudantes por Admissões Justas, Harvard impõe o que é na verdade uma cota branda de "equilíbrio racial". Isso, de acordo com eles, mantém o número de asiático-americanos artificialmente baixo, enquanto promove candidatos brancos, negros e hispânicos menos qualificados.

Harvard defendeu vigorosamente seu processo de admissão nesta sexta-feira, dizendo que sua própria análise por especialistas não demonstrou discriminação.

A instituição atacou o fundador dos Estudantes por Admissões Justas, Edward Blum, acusando-o de usar Harvard para orquestrar uma contestação das admissões ligadas a fatores raciais que acabaria na Suprema Corte.

"A análise profunda e abrangente dos dados e evidências deixa claro que o Harvard College não discrimina candidatos de qualquer grupo, incluindo os asiático-americanos, cujo índice de admissão aumentou 29% na última década", disse a universidade.

"O senhor Blum e a análise de dados incompleta e enganosa de sua organização pintam uma imagem perigosamente imprecisa do processo de admissões."

Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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