China faz exercício militar no mar do Sul e aumenta tensão com os EUA

Pequim e Washington trocaram acusações devido ao aumento da presença militar na região

Pequim | Reuters

A Marinha chinesa realizou exercícios militares em sua costa para simular um ataque aéreo, informou nesta sexta-feira (15) a imprensa estatal do país, em um ato que aumentou as tensões​ entre Pequim e Washington.

As duas potencias acusam o outro lado de ser o responsável pelo aumento da presença militar no mar do Sul da China, uma região de 3,5 milhões de quilômetros quadrados (pouco maior que a Índia) disputada por seis países —China, Taiwan, Brunei, Filipinas, Malásia e Vietnã.  

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pomeo, e o presidente chinês Xi Jinping durante encontro em Pequim
O secretário de Estado dos EUA, Mike Pomeo, e o presidente chinês Xi Jinping durante encontro em Pequim - Fred Dufour- 14.jun.2018/Reuters

A ação também aconteceu três dias após o presidente americano Donald Trump se encontrar com o ditador norte-coreano Kim Jong-un e anunciar a suspensão dos exercícios militares conjuntos entre os EUA e a Coreia do Sul.  

A decisão foi uma tentativa de diminuir a tensão na Ásia e de atender uma reivindicação antiga de Pyongyang, mas acabou causando atrito entre Washington e Seul, já que o governo sul-coreano disse ter sido pego de surpreso com a medida.

A China, principal aliada dos norte-coreanos, apoiou o encontro entre Kim e Trump, mas tem mantido suas ações militares no mar do Sul, ponto de tensão com o Washington. 

O exercício anunciado nesta sexta aconteceu em um local não divulgado e utilizou três drones como alvo. Os aparelhos, que fizeram o papel de mísseis, voaram sobre uma frota de navios de guerra chineses, que tinha como objetivo derrubá-los.

Segundo a imprensa chinesa, a ideia do exercício era preparar os militares de uma base na região para um ataque aéreo, após testes anteriores apontarem que os soldados não estavam prontos para uma ação do tipo.

O ação aconteceu uma semana após a divulgação de que aviões de bombardeio americanos, modelo B-52, teriam sobrevoado a região do mar do Sul e passado próximo a ilhas reivindicadas pela China, o que fez Pequim criticar a ação de Washington.

Em maio, um navio da Marinha dos EUA já tinha entrada em águas reivindicadas pelo governo chinês.

Durante sua visita a Pequim na quinta (14), que tinha como principal assunto a questão norte-coreana, o secretário de Estado americano Mike Pompeo criticou o governo chinês por suas ações no mar do Sul e acusou o país de militarizar a região.

Já a China disse que são as ações da Marinha americana que levaram a um aumento da tensão. Washington se defendeu afirmando que faz apenas operações de "liberdade de navegação" para garantir que navios de qualquer bandeira possam passar no local e como uma resposta às tentativas de Pequim de limitar a navegação no local. 

A região é considerada estratégica porque por ela passam anualmente cerca de US$ 5 trilhões (R$ 18,9 trilhões) do comércio internacional. 

 

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