Descrição de chapéu Governo Trump

Trump diz que pode mudar de ideia sobre Kavanaugh após ouvir denunciantes de abuso

Presidente, porém, reiterou apoio a nomeado para a Suprema Corte: 'É tudo falso para mim'

Trump faz cara de espanto e levanta as duas mãos enquanto fala ao microfone. Ele, que usa terno preto, camisa branca e gravata azul clara, aparece de perfil. Ao fundo, uma bandeira americana.
O presidente dos EUA, Donald Trump, fala durante a entrevista coletiva em Nova York nesta quarta-feira (26) - Carlo Allegri/Reuters
Nova York

No mesmo dia em que uma terceira mulher acusou o juiz Brett Kavanaugh, indicado pelo presidente Donald Trump à Suprema Corte, de participar de uma festa onde houve um estupro coletivo, o republicano disse que pode mudar de ideia sobre a nomeação após ouvir depoimentos das supostas vítimas de abuso sexual.

As declarações foram feitas na tarde desta quarta-feira (26) em entrevista coletiva concedida em um hotel em Nova York, aonde Trump foi para participar da Assembleia-Geral da ONU.

“Elas terão a chance de falar amanhã [quinta-feira], acredito. Estão dando às mulheres uma grande chance de falar”, afirmou o republicano, em coletiva de imprensa que durou 1h20. É raro Trump convocar pronunciamentos do tipo.

“Eu posso ser convencido também”, ressaltou, reafirmando que pode ouvir as alegações e mudar de ideia.

É uma mudança em relação ao posicionamento que o americano vinha mantendo. Ele atacou duas das vítimas e chegou a afirmar que uma delas, Deborah Ramirez, estava “bêbada” quando Kavanaugh supostamente teria forçado ela a tocar em seu pênis. O juiz nega as acusações.

Christine Blasey Ford deve depor nesta quinta-feira sobre a suposta tentativa de agressão sexual cometida pelo republicano. Ela acusa Kavanaugh de trancá-la em um quarto, a forçado a deitar em uma cama e apalpá-la, esfregando seu corpo contra o dela.

Trump disse, porém, que há a possibilidade de as mulheres mudarem de ideia. O republicano, no entanto, voltou a expressar apoio ao indicado à Suprema Corte. “Destruíram a reputação de um homem e querem destruir mais. O que fizeram com a família, com as belas crianças dele, com a mulher.”

“É tudo falso para mim. Há falsas acusações em certos casos, e até a mídia concorda comigo”, ressaltou Trump, que acrescentou que o juiz é uma das melhores pessoas que conhece. “Só posso dizer que o que fizeram para esse homem não é justo.”

Trump questionou por que as mulheres demoraram tanto para vir a público —a vítima que fez a denúncia nesta quarta, Julie Swetnick, relata um caso que ocorreu em uma festa realizada em 1982.

“Por que esperaram tanto? Por que não trouxeram isso desde o começo, durante a audiência [de Kavanaugh]?”, contestou. Segundo ele, isso daria tempo ao FBI (Polícia Federal americana) de investigar o caso.

Trump também acusou a China de querer que os republicanos percam as eleições legislativas de novembro. “A China gostaria de nos ver perdendo as eleições porque eles nunca foram desafiados assim”, disse.

Ele voltou a dizer que há evidências de que o país asiático tenta interferir nas eleições. “Não saiu do nada”, afirmou.

Mais cedo, em reunião do Conselho de Segurança da ONU, o presidente americano também disse ter “muitas evidências” de uma tentativa chinesa de influenciar o resultado eleitoral, mas não apresentou provas."A China está tentando interferir em nossas próximas eleições de 2018, em novembro. Contra minha administração", afirmou Trump mais cedo. ​

A sucessão de acusações tem atrasado o processo de nomeação de Kavanaugh, o segundo juiz que Trump indica para a máxima instância do país.

O primeiro foi Neil Gorsuch, um conservador moderado, indicado por Trump após o processo de preenchimento de outra vaga iniciado por Barack Obama ser atrasado pela bancada republicana.

Com a ascensão de Kavanaugh e Gorsuch, Trump consegue mudar o equilíbrio do Supremo, que passa a ter quatro progressistas e cinco conservadores. Caso o nome de Kavanaugh seja rejeitado ou trocado, e as eleições legislativas de novembro resultem em uma maioria democrata, o processo deve se alongar para além de 1º de janeiro, quando assume a nova legislatura.

Nesse caso, o presidente terá dificuldades em aprovar um nome mais radical.

Acusações contra Brett Kavanaugh

Christine Blasey Ford Revelou sua identidade em entrevista ao jornal The Washington Post; primeira a acusar Kavanaugh, ela afirma que ele a segurou em uma cama, bolinou-a e tentou tirar sua roupa quando ambos eram adolescentes

"Eu achei que ele podia me matar acidentalmente"

Deborah Ramirez A suposta agressão teria acontecido quando os dois eram alunos da Universidade Yale; ela disse que Kavanaugh esfregou o pênis no rosto dela em uma festa, quando ela estava embriagada

"Eu sabia que era algo que não queria, mesmo naquele estado"

Julie Swetnick A acusação mais recente afirma que o juiz estava em uma festa em 1982 onde ela foi vítima de um estupro coletivo

"Eu testemunhei tentativas de Mark Judge, Brett Kavanaugh e outros de deixarem garotas embriagadas ou desorientadas para elas serem estupradas coletivamente"

O que dizem os envolvidos no caso

Michael Avenatti É o advogado da nova acusadora, Swetnick; ele ficou conhecido por também ser o defensor da atriz pornô Stormy Daniels, que afirma ter tido um caso com Donald Trump

"Nós exigimos uma investigação imediata do FBI sobre essas denúncias"

Brett Kavanaugh Foi indicado em julho por Donald Trump para assumir uma vaga na Suprema Corte americana; ele negou todas as acusações de abuso até o momento

"Isso é ridículo e fantasioso"

Donald Trump Tem defendido o nome de Kavanaugh desde o início das denúncias, questionando a credibilidade das vítimas e já afirmando que as acusações são injustas com o juiz

"Avenatti é um advogado de terceira categoria muito bom em fazer acusações falsas, como fez comigo"

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