Série de casos de violência nos EUA coloca retórica de Trump sob críticas

Ataque a sinagoga deixou 11 mortos na cidade de Pittsburgh; atirador disse não gostar de judeus

Danielle Brant
Nova York

Uma semana, três episódios de violência nos EUA —sendo dois crimes de ódio— e um questionamento: estaria a retórica inflamada do presidente Donald Trump, de alguma forma, estimulando os ataques contra adversários políticos e minorias criticadas pelo republicano?

A primeira associação foi feita após autoridades interceptarem 15 pacotes endereçados a figuras ligadas ao Partido Democrata, como o ex-presidente Barack Obama e a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, derrotada pelo republicano nas eleições de 2016.

São personalidades que costumam ser alvos de críticas do presidente –além da emissora CNN, chamada de “fake news”. O suspeito, Cesar Sayoc, 56, é apoiador de Trump.

Trump, na última sexta (26), em evento de campanha política em Charlotte, na Carolina do Norte
Trump, na última sexta (26), em evento de campanha política em Charlotte, na Carolina do Norte - AP

Pouco depois, novas críticas à retórica do presidente, em casos que são tratados como crimes de ódio.
Na quarta-feira (24), Maurice Stallard, 69, e Vickie Jones, 67, ambos negros, foram mortos a tiros por Gregory A. Bush, um homem branco de 51 anos, dentro de uma loja em Kentucky.

Antes do ataque, ele teria tentado entrar numa igreja frequentada por negros. Há relatos de que teria gritado a um pedestre, antes de ser preso, que “brancos não atiram em brancos”.

E em Pittsburgh, Robert Bowers, 46, invadiu uma sinagoga e matou 11, dizendo que apenas queria matar judeus. Nesta segunda, ele compareceu a uma audiência e ouviu do juiz Robert C. Mitchell as 29 acusações que pesam contra si. Os promotores querem pena de morte para o atirador.

Para Christopher Morrison, professor assistente da Universidade Columbia, considerar que a retórica de Trump colabora para incitar os episódios acima não é conclusão descabida.

“A linguagem usada por ele em comícios incita a violência. Não deveria surpreender que alguém que defenda a violência contra a mídia e adversários políticos provoque, efetivamente, violência”, afirma.

Com discursos inflamados contra imigrantes e aceno ao nacionalismo, Trump estaria validando sentimentos de apoiadores que querem usar a violência com fins políticos, avalia Richard Wilson, professor da Universidade de Connecticut. “Por ele ser o presidente, a retórica dele tem um impacto. Embora ele não tenha provocado crimes pelos quais possa ser culpado, contribuiu para um clima que leva a isso.”

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