Descrição de chapéu Venezuela

ONU pede R$ 2,8 bi para ajudar vizinhos a receber refugiados venezuelanos

Verba faz parte de pacote de R$ 84 bi que entidade pretende usar em ajuda humanitária em 2019

Refugiados venezuelanos em acampamento improvisado em uma oficina mecânica de Boa Vista
Refugiados venezuelanos em acampamento improvisado em uma oficina mecânica de Boa Vista - Nacho Doce - 25.ago.18/Reuters
Genebra

A ONU anunciou nesta terça-feira (4) que precisa de US$ 738 milhões (R$ 2,8 bilhões) para ajudar os países sul-americanos a lidarem com o fluxo de milhões de imigrantes e refugiados da Venezuela em 2019, já que não há perspectiva de retorno no no médio prazo.

É a primeira vez em que a crise no país do ditador Nicolás Maduro foi incluída no apelo global da entidade por financiamento para ajuda humanitária. O valor total requisitado para a área em 2019 é de US$ 22,9 bilhões (R$ 83,7 bilhões), sem incluir a verba para auxiliar na Síria.   

Cerca de três milhões de pessoas já fugiram da crise econômica e política que afeta a Venezuela, a maioria desde 2015, segundo dados de agências da própria ONU. A maior parte se mudou para países da América Latina, com a Colômbia como principal destino, recebendo mais de 1 milhão de pessoas.  

Equador, Peru e Brasil também estão entre os que mais receberam os refugiados. 

"Existe uma crise para a qual pela primeira vez nós temos um plano de resposta, que é ajudar as nações vizinhas da Venezuela a lidar com as consequência do grande número de venezuelanos deixando o país", disse o coordenador de ajuda emergencial da ONU, Mark Lowcock em entrevista em Genebra ao anunciar o pedido de verba.  

"Em 2019, prevemos que 3,6 milhões de pessoas [da Venezuela] vão precisar de assistência e proteção, sem perspectiva de retorno no curto o médio prazo", afirmou ele.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, culpa os problemas econômicos do país a sanções financeiras impostas pelos Estados Unidos e a uma "guerra econômica" liderada por adversários políticos. Ele deve se reunir com o presidente russo, Vladimir Putin, em Moscou nesta quarta-feira (5) e os dois devem debater uma ajuda a Caracas, de acordo com a agência Reuters.

A fuga de venezuelanos, motivados pela violência, hiperinflação e escassez de alimentos e remédios, levou a ONU a fazer um pequeno apelo de emergência na semana passada, oferecendo US$ 9,2 milhões (R$ 35,34 milhões) para projetos dentro da Venezuela.

"Acho que há um entendimento compartilhado de que mais ajuda da ONU nesses tipos de áreas seria uma coisa muito útil para reduzir o sofrimento das pessoas dentro da Venezuela", disse Lowcock após ser   questionado se o governo venezuelano aceitaria o auxílio dentro do país

"O que nós acertamos com o governo da Venezuela é que nós devemos fortalecer nosso trabalho de colaboração e apoio, por exemplo, nas áreas de serviços de saúde e nutrição", disse ele.

Reuters
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