Descrição de chapéu Governo Trump

Trump insiste em manter discurso à nação no Congresso, mas líder democrata rejeita

Nancy Pelosi diz governo fechado, resultado de impasse entre Trump e democratas, impede sessão

O presidente dos EUA, Donald Trump, em reunião na Casa Branca nesta quarta (23)
O presidente dos EUA, Donald Trump, em reunião na Casa Branca nesta quarta (23) - Kevin Lamarque/Reuters
Danielle Brant
Nova York

O presidente Donald Trump insistiu nesta quarta-feira (23) em manter o discurso anual que faz à nação no Congresso no próximo dia 29, enquanto a presidente da Câmara dos Deputados, a democrata Nancy Pelosi, disse que não vai dar os passos congressuais para que isso aconteça, por causa da paralisação do governo.

Na semana passada, Pelosi afirmou que, por causa do apagão parcial, que caminha para seu 34º dia, a segurança do Capitólio durante o discurso de Trump poderia ficar comprometida. O presidente e os democratas estão em um impasse sobre o financiamento ao muro que o republicano quer erguer na fronteira com o México.

O presidente afirmou ainda que seria muito triste para o país se o pronunciamento não fosse feito no dia marcado, “e muito importantemente, no local!”, escreveu.

Pouco depois, Pelosi respondeu. “O governo ainda está fechado. Eu ainda faço a oferta para uma data pactuada mutualmente, como a data original foi, mutualmente pactuada, para que possamos recebê-lo apropriadamente.”

Ela sugeriu que os dois lados trabalhem juntos para conciliar uma data para que o presidente possa fazer o discurso.

O presidente afirmou ainda que seria muito triste para o país se o pronunciamento não fosse feito no dia marcado, “e muito importantemente, no local!”, escreveu.

Pouco depois, Pelosi respondeu. “Porque o governo está fechado, e eu disse claramente desde o começo, quando escrevi a ele [Trump] pela segunda vez para dizer desde que o governo está fechado —nós não vamos [ter o pronunciamento]”, disse. Ela sugeriu que os dois lados trabalhem juntos para chegar a uma nova data para que o presidente possa fazer o discurso.

“O governo ainda está fechado. Eu ainda faço a oferta para uma data pactuada mutualmente, como a data original foi, mutualmente pactuada, para que possamos recebê-lo apropriadamente.”

Na Casa Branca, Trump rebateu e afirmou não estar surpreso. “É realmente uma vergonha o que está acontecendo com os democratas. Eles se tornaram radicais.”

Para o presidente, a decisão de Pelosi de não aprovar a resolução para que ele pudesse fazer o pronunciamento na próxima terça de “grande mancha” na história americana.

“Nós deveríamos estar fazendo isso e agora Nancy Pelosi —ou Nancy, como eu a chamo—, ela não quer ouvir a verdade e ela não quer ouvir, mais importante, que a população americana ouça a verdade”, disse Trump.

“É uma marca muito, muito horrível. Eu não acredito que já aconteceu antes, e é sempre bom ser parte da história, mas essa é uma parte muito negativa da história.”

É prerrogativa de Pelosi, como presidente da Câmara, convidar o presidente para fazer o pronunciamento anual. A Casa e o Senado precisariam aprovar resoluções convocando uma sessão conjunta do Congresso para que possa haver a participação do presidente.

A presidente da Câmara convidou Trump a fazer o discurso em uma carta enviada em 3 de janeiro. Mas, no dia 16, ela advertiu sobre as preocupações com segurança sobre a ida do presidente ao Capitólio por causa da paralisação do governo.

No pronunciamento, Trump deve falar sobre a importância do muro e incluir outros tópicos, como economia e política externa.

Nesta quarta, para tentar reabrir o governo, a Câmara aprovou um pacote de medidas com recursos para financiar a parte paralisada da administração, mas a Casa Branca já emitiu um veto explícito à lei.

Nesta quinta (24), o Senado terá duas votações sobre propostas concorrentes, incluindo uma aprovada antes pela Câmara que poderia reabrir até 8 de fevereiro agências do governo hoje fechadas e que provê mais de US$ 12 bilhões em ajuda para desastres. A lei não deve passar, porém.

Em outra votação separada, os senadores vão analisar uma lei para financiar o Departamento de Segurança Doméstica nos níveis atuais até 28 de fevereiro.

O impasse com democratas ocorre porque Trump se recusa a assinar quaisquer medidas para financiar o governo que não contemple verba para o muro no México. Os democratas rejeitam aprovar qualquer lei que tenha essa provisão.

Durante a campanha eleitoral de 2016, o presidente prometeu que o México pagaria pelo muro. Desde que assumiu o cargo, porém, insistiu que o projeto fosse financiado com dinheiro de contribuintes americanos.

Trump chegou a ameaçar declarar emergência nacional para construir o muro, mas recuou recentemente.

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