Descrição de chapéu Venezuela Governo Bolsonaro

Brasil coordena com EUA entrega de ajuda humanitária à Venezuela

Governo Bolsonaro autoriza entrada de caminhões da oposição para retirada de assistência em Roraima

Ricardo Della Coletta
Brasília

Em uma operação coordenada com os EUA, o governo Jair Bolsonaro vai permitir o uso de território brasileiro para que opositores do ditador Nicolás Maduro tentem levar ajuda humanitária à Venezuela em 23 de fevereiro.

Segundo o porta-voz da Presidência da República, Otávio do Rêgo Barros, Bolsonaro determinou que o Brasil dê apoio logístico para que caminhões conduzidos por venezuelanos da oposição busquem mantimentos em Pacaraima e Boa Vista, em Roraima. 

Os produtos serão enviados a postos nessas cidades pelo governo brasileiro, disse o porta-voz.

Trata-se da ação mais contundente já adotada pelo governo Bolsonaro contra Maduro, considerado pelo presidente um mandatário "ilegítimo."

A ação de envio de ajuda à Venezuela, segundo Rêgo Barros, está sendo planejada em coordenação com os EUA

No entanto, ela não deve envolver o envio de produtos em aviões dos EUA a Roraima, ao contrário do que ocorre na Colômbia.

"O governo brasileiro está mobilizando uma força tarefa interministerial para definir a logística da prestação de ajuda humanitária ao povo da Venezuela, a partir de 23 de fevereiro, atendendo a um apelo do presidente Juan Guaidó", declarou Rêgo Barros nesta terça-feira (19), em referência ao presidente autodeclarado interino do país vizinho.

"Alimentos e medicamentos serão disponibilizados em território brasileiro em Boa Vista e Pacaraima para recolhimento do presidente [Guaidó] por caminhões venezuelanos conduzidos por venezuelanos", acrescentou.

A entrada de ajuda humanitária na Venezuela é um dos principais pontos da estratégia de Guaidó para tentar derrubar Maduro.

O objetivo do líder opositor, reconhecido por cerca de 50 países, entre eles EUA e Brasil, é que as Forças Armadas da Venezuela acabem não resistindo à chegada dos alimentos e medicamentos, desobedecendo a ordem de Maduro.

O principal local de envio de ajuda é a cidade colombiana de Cúcuta, na fronteira com a Venezuela. Os produtos foram enviados à cidade por aviões dos EUA. 

Voluntário carrega nas costas um grande pacote com mantimentos enviado pelos EUA para Cucata, Colômbia
Voluntário carrega pacote com mantimentos enviado pelos EUA para Cucata, Colômbia - Raul Arboleda - 9.fev.19/AFP

Guaidó pediu que o Brasil instalasse centros de ajuda humanitária próximos à fronteira do Brasil com a Venezuela. Na semana passada, uma delegação enviada pelo presidente interino esteve no Itamaraty para pedir que o Brasil também se envolvesse no plano para entrega dos itens.

Na ocasião, o deputado Lester Toledo, aliado de Guaidó, disse que Roraima seria o segundo ponto de entrada de ajuda humanitária, depois de Cúcuta. O consentimento de Bolsonaro à ideia só foi divulgada nesta terça. 

Embora seja uma determinação de Bolsonaro, o apoio logístico que o Brasil fornecerá à oposição venezuelana não é consenso dentro do governo.

Além do desafio logístico de enviar mantimentos a um dos pontos de mais difícil acesso no país, setores militares e do Itamaraty estão preocupados com as consequências desse envolvimento direto do Brasil, que tem cerca de 2.200 km de fronteira com a Venezuela. 

Roraima é dependente da energia vendida por uma empresa controlada pelo regime chavista.
Além disso, há a possibilidade que Maduro, que detém controle sobre as Forças Armadas, não permita a entrada da ajuda, o que pode criar um problema na fronteira.

O terceiro ponto de entrega de ajuda é Curaçao. Nesta terça, as Forças Armadas da Venezuela determinaram o bloqueio da divisa marítima e aérea com as Antilhas holandesas, incluindo Curaçao, Aruba e Bonaire.

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