Descrição de chapéu Venezuela

Chavistas abandonam Maduro e pedem referendo sobre eleição

Grupo de 100 esquerdistas lança manifesto em que propõem 'pacto de governabilidade'

Clóvis Rossi
São Paulo

Cerca de 100 militantes da esquerda venezuelana, que se intitulam chavistas, lançaram manifesto em que se distanciam do governo do ditador Nicolás Maduro e propõem “um pacto de governabilidade” que inclua a convocação de um referendo para que o eleitorado decida se está ou não de acordo com a realização de eleições gerais.

O manifesto evita assumir diretamente a reivindicação da oposição, que quer a saída de Maduro, seguida de eleições gerais, mas indiretamente aceita que o governante atual não tem legitimidade. O texto afirma que as eleições gerais permitiriam “a relegitimação dos poderes públicos".

A proposta de referendo parte do princípio de que se trata de “procedimento democrático e participativo previsto na Constituição e muito mais expedito que eleições gerais".

As condições para a realização do plebiscito atendem plenamente as exigências que têm sido feitas não só por Juan Guaidó, o presidente da Assembleia Nacional e presidente interino da República aceito por mais de 60 países, mas também pelo Grupo de Lima, integrado pelas principais nações americanas, Brasil inclusive.

O líder oposicionista e presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, em ato em Caracas - Federico Parra/AFP

Pede, por exemplo, a designação de um Conselho Nacional Eleitoral por “consenso de interesse nacional". O atual CNE é um braço da ditadura, que referenda tudo o que Maduro propõe.

O texto diz ainda: “Exigimos que se produza a imediata restituição do regime de liberdades e garantias estabelecidas na Constituição, a liberdade de todos os presos políticos não incursos em delitos de lesa humanidade e graves violações dos direitos humanos, a reabilitação de organizações políticas e de seus porta-vozes, o fim da intimidação e da repressão maciça e seletiva dos dirigentes das comunidades que protestam e o respeito ao exercício pleno de seus direitos constitucionais".

É, na essência, o que quer a oposição.

Mas o manifesto também critica “alguns setores extremistas da oposição” e alerta a estes e também, “em particular", ao governo que “estimular o confronto (...) significa jogar com fogo sobre a vida de nosso povo, literalmente".

Assinam o manifesto diferentes militantes de esquerda, inclusive ex-ministros de Hugo Chávez, alguns dos quais estiveram na semana passada com Guaidó. Casos de Héctor Navarro, que foi ministro da Educação, e de Rodrigo Cabezas (Finanças).

O texto foi divulgado pela publicação digital Aporrea, que é o veículo de expressão do chavismo, especialmente do que se distanciou de Maduro.

Demonstra pelo menos duas coisas: aumenta a cada dia a solidão da ditadura e aumenta também o receio de um desenlace violento.

Milton Romani, da Frente Ampla uruguaia, que chamou a atenção da Folha para o texto, classifica-o de “sensato, razoável e prático". E acrescenta que deve ser considerado “ao menos como forma de evitar um banho de sangue, uma intervenção militar ou a continuidade do pântano institucional".

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