Brasil rompe tradição diplomática e vota a favor de Israel na ONU

País vota contra duas resoluções sobre territórios disputados por palestinos e pela Síria

São Paulo

Em uma mudança em sua tradição diplomática, o Brasil se posicionou nesta sexta-feira (22) a favor de Israel durante a votação de duas resoluções do Conselho de Direitos Humanos da ONU que tratavam de territórios reivindicados pela Síria e pelo governo palestino.

O novo posicionamento brasileiro no órgão, que fica em Genebra, acontece a menos de dez dias da viagem que o presidente Jair Bolsonaro fará no final de março a Israel, onde se encontrará com o premiê Binyamin Netanyahu.

Tradicionalmente, em votações na ONU que envolvem territórios disputados por palestinos ou as colinas de Golã, o representante brasileiro costumava se abster ou votar contra a posição israelense.

Nesta sexta, porém, o Brasil se alinhou com Israel e votou contra duas resoluções favoráveis a posição de palestinos e sírios. Em outras três resoluções o país manteve a tradição, votando a favor de duas e se abstendo em outra.

DUrante sua posse em Brasília, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro abraça o premiê israelense Binyamin Netanyahu
DUrante sua posse em Brasília, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro abraça o premiê israelense Binyamin Netanyahu - Nelson Almeida - 1º.jan.19/AFP

O chanceler Ernesto Araújo defendeu o novo posicionamento do país na ONU. 

"Apoiar o tratamento discriminatório contra Israel na ONU era uma tradição da política externa brasileira dos últimos tempos. Estamos rompendo com essa tradição espúria e injusta, assim como estamos rompendo com a tradição do antiamericanismo, do terceiromundismo e tantas outras", disse ele nas redes sociais. 

Um dos votos contrários do Brasil foi sobre uma resolução que tratava de violações de direitos humanos de cidadãos sírios que vivem nas colinas de Golã, região que Israel tomou de Damasco em 1967 em uma ação nunca reconhecida pela comunidade internacional.

O texto afirmava que a presença de militares israelenses na região leva à "sistemática e contínua violação dos direitos humanos fundamentais" dos sírios. O documento foi aprovado com 26 votos a favor, 16 contrários e cinco abstenções.

A votação do tema aconteceu um dia após o presidente americano, Donald Trump, ter defendido que Washington reconheça a soberania israelense em Golã,. A decisão também muda o posicionamento tradicional do país. 

Os EUA deixaram o Conselho de Direitos Humanos da ONU no ano passado, acusando o órgão de ter um viés anti-israelense.

Diversos países e entidades —incluindo Rússia, Irã e União Europeia— criticaram a fala do americano e afirmaram que não pretendem reconhecer o domínio de Israel sobre a área.

Em outra votação que envolvia Golã, o Brasil se absteve. O documento criticava a criação de assentamentos israelenses na região, assim como nos territórios reivindicados pelos palestinos e em Jerusalém Oriental.

Fora essa, o Brasil foi voto contrário também em outra resolução que criticava Israel e que exigia justiça contra violações cometidas nos territórios palestinos, em especial durante o conflito na faixa de Gaza em 2014.

Na ocasião, o governo israelense lançou uma operação militar contra a região após três adolescentes do país terem sido sequestrados por militantes do Hamas, grupo islâmico que controla a região. 

O texto aprovado pelo conselho da ONU apontava a possibilidade de que crimes de guerra tenham sido cometidos no período e criticava a falta de cooperação de Israel com as investigações.

Em outras duas votações, o Brasil votou com os palestinos.

Uma das resoluções criticava a situação dos direitos humanos nos territórios palestinos e acusava Israel de violar a lei internacional. A outra apoiava o direito de autodeterminação dos palestinos.    

Todas as cinco resoluções foram aprovadas pelo conselho da ONU.

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