Em Santa Ceia da direita, Bolsonaro diz que comunismo não pode imperar

Presidente jantou com conservadores em sua primeira noite de visita oficial aos Estados Unidos

Patrícia Campos Mello Marina Dias
Washington

​​O presidente Jair Bolsonaro não decepcionou sua plateia conservadora durante jantar neste domingo (17), em Washington

Em uma espécie de Santa Ceia da direita americana, o presidente afirmou que é preciso fortalecer a democracia no Ocidente e que aspectos relativos ao antigo comunismo não podem mais imperar.

Jair Bolsonaro discursa durante jantar em Washington
Jair Bolsonaro discursa durante jantar em Washington - Alan Santos/Presidência da República

A fala ideológica diante de um público formado por pensadores, acadêmicos, jornalistas e financistas conservadores dos EUA concretiza o alinhamento que Bolsonaro busca fazer com o governo de Donald Trump.

De acordo com o porta-voz da Presidência da República, o general Otávio Rêgo Barros, Bolsonaro fez um discurso no qual afirmou que é preciso fortalecer o comércio entre Brasil e EUA e destacou que democracia e liberdade são os fatores, nas palavras do porta-voz, mais essenciais que unem os dois povos neste momento.

"As ideias do nosso presidente são de fortalecer o nosso comércio, reconhecendo que os EUA são o segundo mercado para os produtos brasileiros [...], reconhecendo que aspectos relativos ao antigo comunismo não podem mais imperar nesse ambiente que nós vivenciamos”, disse Barros ao reproduzir a fala de Bolsonaro.

Ainda segundo o auxiliar do Planalto, o presidente falou sobre os acordos de tecnologia e na área militar que serão assinados durante a visita.

 

No jantar, realizado na residência do embaixador do Brasil em Washington, Sérgio Amaral, os convidados comeram um mousse de ovas de entrada —que o general definiu como “um creme muito bom”—, bife wellington como prato principal e, para a sobremesa, quindim, doce típico brasileiro.

Entre os presentes estavam Walter Russel Mead, renomado acadêmico conservador especializado em política externa americana, que também é colunista do Wall Street Journal, e Matt Schlapp, presidente da União Conservadora Americana. A entidade organiza a Conferência da Ação Política Conservadora (CPAC, na sigla em inglês), a mais importante reunião anual de políticos conservadores dos Estados Unidos.

Os já habituais bolsonaristas nos EUA, o escritor Olavo de Carvalho e o ex-estrategista de Trump Steve Bannon, além do investidor Gerald Brant, também jantaram com Bolsonaro.

Bannon afirmou que o jantar foi um “ótimo ponto de partida” para a viagem de Bolsonaro aos EUA e que os convidados puderam conversar sobre os desafios e oportunidades do Brasil.

Ele disse que “alguém chamou esse encontro de ‘Santa Ceia da direita’ [referindo-se à reportagem da Folha que revelou o encontro]”, mas afirmou que discordava da classificação. Para ele, foram chamadas pessoas de vários espectros da direita.

Da comitiva do presidente Bolsonaro, estavam presentes os ministros da Justiça, Sergio Moro; e da Economia, Paulo Guedes, que correu para a loja Sephora para comprar um barbeador antes de ir para o jantar.

Também compareceram os ministros da Agricultura, Tereza Cristina; Minas e Energia, Bento Albuquerque; Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes; e Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno.

Além disso, participaram do jantar o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), e o presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente. 

Nesta segunda-feira (18), como anunciou o ministro Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), será assinado o acordo de salvaguardas tecnológicas que permitirá o uso comercial da base de Alcântara (MA) para lançamento de satélites.

Esse deve ser o documento de maior impacto prático que vai resultar da visita.

"Nosso presidente relembra que nós já atuamos lado a lado com as tropas americanas, os nossos famosos pracinhas, na Segunda Guerra Mundial, em território italiano. São aspectos importantes que precisam revividos e fortalecidos, e o nosso presidente vem fazendo isso", completou o porta-voz.

O anfitrião, embaixador Sérgio Amaral, deve ser trocado do posto após a visita de Bolsonaro nos EUA. Os mais cotados hoje são o diplomata Nestor Forster —apoiado pelo chanceler Ernesto Araújo— e o consultor Murillo de Aragão, da Arko Advice.

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.