Cristina Kirchner diz que julgamento por corrupção é 'cortina de fumaça' política

Para ex-presidente, objetivo é prejudicar suas chances nas eleições deste ano na Argentina

Buenos Aires | Reuters e AFP

A senadora e ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner, 66, criticou o julgamento por corrupção ao qual comparecerá pela primeira vez nesta terça-feira (21) como uma "cortina de fumaça" política com o objetivo de prejudicar suas chances nas eleições deste ano.

No fim de semana, ela anunciou que concorrerá como vice-presidente, tendo seu ex-chefe de gabinete Alberto Fernández como cabeça de chapa. No entanto, Cristina aparece em pesquisas recentes como favorita como candidata a presidente, à frente do atual mandatário Mauricio Macri.

A ex-presidente Cristina Kirchner, ao lado de seu advogado, Carlos Beraldi, em julgamento em Buenos Aires - Martín Zabala/Xinhua

"Em algumas horas começará em Comodoro Py um julgamento ao qual eu jamais deveria ter sido convocada. Trata-se de um novo ato de perseguição com um único objetivo: colocar uma ex-presidente opositora no banco dos réus em plena campanha presidencial", afirmou ela em uma série de postagens em uma rede social, horas antes de comparecer ao tribunal em Buenos Aires.

"Claramente não se trata de fazer justiça", escreveu ainda. 

"[Trata-se] Apenas de armar uma nova cortina de fumaça que pretende distrair os argentinos e as argentinas, cada vez com menos sucesso, da dramática situação que vive nosso país e nosso povo."

"Os julgamentos devem buscar a verdade. Mas aqui não parece que isso vai acontecer", disse ainda a senadora, afirmando que seus advogados não puderam contar com as "provas mais elementares". 

Cristina responde a diversos processos de corrupção por casos que datam do período em que foi presidente, entre 2007 e 2015, incluindo acusações de que recebeu propina de construtoras em troca de licitações com valores superfaturados.

Como senadora, Cristina tem imunidade parlamentar, mas caso venha a perdê-la poderia receber pena de até dez anos de prisão.

"Jamais fiz intervenção alguma nos expedientes administrativos que se realizaram por cada uma dessas obras. Entre a Presidência da nação e as obras denunciadas existem 12 instâncias administrativas de caráter nacional e provincial [estadual]", afirmou a senadora em outra postagem. 

"O julgamento de hoje se baseia em uma denúncia efetuada pelo governo Mauricio Macri sobre obras públicas viárias realizadas inteiramente na província de Santa Cruz." 

A ex-presidente chegou à sede do tribunal pouco antes de meio-dia, o horário previsto para o início da audiência. Militantes de sua corrente de esquerda do peronismo a apoiaram quando ela deixou seu apartamento no elegante bairro de Recoleta, em Buenos Aires.

Sem fazer qualquer declaração, Kirchner sentou-se na última fila dos réus, cercada por seus advogados. Parlamentares de seu partido, Frente para a Vitória, e lideranças de organizações de defesa dos direitos humanos, como Mães e Avós da Praça de Maio, a acompanharam entre o público.

A audiência, dedicada exclusivamente à leitura das acusações, durou três horas. O tribunal convocou outra sessão para o próximo dia 27 de maio, na qual continuará com a leitura do expediente acusatório, que tem mais de 600 páginas. 

Ao sair do tribunal, Kirchner sorriu e acenou brevemente para um grupo de apoiadores que a aguardavam na rua.

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