Descrição de chapéu Brexit

Boris Johnson e Jeremy Hunt fazem disputa final por cargo de premiê do Reino Unido

Em quinta votação interna dos conservadores, ex-prefeito de Londres obtém 160 votos, ante 77 de chanceler

Lucas Neves
Paris

 A quinta votação interna dos 313 deputados conservadores para escolher quem substituirá Theresa May no comando do Reino Unido definiu nesta quinta-feira (20) os dois finalistas: são eles Boris Johnson, ex-prefeito de Londres e favorito na disputa, e Jeremy Hunt, atual ministro das Relações Exteriores.

Os deputados conservadores deram a Hunt dois votos a mais (77) do que a Michael Gove, ministro do Ambiente (75), eliminado da disputa.

Johnson não tomou conhecimento da disputa pelo segundo lugar: amealhou 160 apoios e é favoritíssimo a suceder May, sobretudo pelo discurso linha-dura em relação ao brexit. Ele promete tirar os britânicos do bloco europeu no dia 31 de outubro, atual Dia D da despedida (já adiada duas vezes), seja como for –ou seja, com ou sem acordo referendado pelo Parlamento.

Mais cedo, também nesta quinta, durante a quarta rodada de votação, o eliminado havia sido o ministro do Interior, Sajid Javid, com 34 votos.

O conservador Boris Johnson - Ben Stansall/AFP

Quem vencer o duelo será o novo primeiro-ministro do Reino Unido, substituindo a correligionária Theresa May, que não resistiu a três tentativas malsucedidas de fazer o Parlamento aprovar um acordo de saída do país da União Europeia firmado no fim de 2018.  

Na próxima etapa, todos os filiados ao partido podem votar. Estima-se que eles sejam cerca de 160 mil. A escolha final deve acontecer na semana de 22 de julho.

O perfil da militância conservadora, bastante eurocética, harmoniza-se com essa retórica. Além disso, os direitistas de carteirinha (literalmente) costumam vir das classes mais abastadas.

Para cortejá-los, Johnson incluiu em seu programa de governo a proposta de elevação do piso a partir do qual incide a alíquota mais alta do equivalente ao imposto de renda.   

Hunt, de seu lado, é quase um progressista na comparação com o oponente. Votou “remain” (pela permanência do país na UE), mas entende que é preciso levar a cabo o processo detonado pelo plebiscito de junho de 2016 em que a maioria escolheu o adeus à Europa.

Jeremy Hunt fala com repórteres após corrida matinal, em Londres - Simon Dawson/Reuters

Já declarou que vai fazer tudo o que for possível para tornar o “acordo de divórcio” mais palatável aos parlamentares britânicos, o que incluiria mandar um novo elenco de negociadores a Bruxelas, sede da governança europeia, para tentar alterar pontos-chave do pacto atual –o consórcio, porém, diz há meses que o documento não será revisto.

Hunt já descreveu o cenário de um brexit duro, sem acordo como “suicídio político”, porque quase que certamente levaria à apresentação de uma moção de desconfiança no Parlamento –não há maioria para o tal “no deal” no plenário.

A votação que definiu a queda de braço final entre Johnson e Hunt foi a quinta em uma semana. Desde o último dia 10, a lista de concorrentes (10, no começo) foi sendo progressivamente ceifada –o menos votado e aqueles que não atingiam um piso fixado pelo partido para cada rodada eram eliminados.   

 
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