Descrição de chapéu Governo Trump

Trump desiste de tarifas após México concordar com medidas contra migração

Presidente americano afirmou que os dois países chegaram a um acordo

Marina Dias
Washington | Reuters e AFP

O presidente americano, Donald Trump, disse nesta sexta-feira (7) que os Estados Unidos chegaram a um acordo com o México para evitar a imposição de tarifas a produtos vindos do país vizinho.

Trump havia ameaçado instituir uma taxa de importação de 5% sobre todos os produtos mexicanos a partir da próxima segunda (10) se o país não concordasse em endurecer o combate à imigração ilegal.

O acordo foi fechado após três dias de negociações em Washington. 

Também nesta sexta, Trump prometeu adotar "fortes medidas" para conter o fluxo de migrantes de países centro-americanos que atravessam a fronteira sul dos EUA. 

"As tarifas que os Estados Unidos planejavam impor na segunda-feira contra o México estão indefinidamente suspensas", escreveu ele em uma rede social.

"Em troca, o México concordou em adotar fortes medidas para diminuir a o fluxo de migração que passa pelo México e pela nossa fronteira sul. Isso está sendo feito para reduzir enormemente, ou eliminar, a imigração ilegal vinda do México para os EUA", acrescentou.

O país vizinho fez concessões durante as conversas com os EUA e ofereceu o envio de 6.000 militares a sua fronteira com a Guatemala. As operações começarão na segunda-feira.

Além do reforço militar, o país também concordou em acolher mais migrantes que pedem asilo nos EUA enquanto seus casos são decididos. 

No entanto, o México também afirmou que quer uma solução de longo prazo para a migração que envolva ajuda ao desenvolvimento econômico.

Durante as negociações, o país apresentou uma lista de possíveis tarifas retaliatórias sobre produtos agrícolas e industriais vindos de estados americanos nos quais Trump tem forte apoio eleitoral. A tática também foi usada pela China para pressionar negociações da guerra comercial entre Washington e Pequim.

O presidente americano anunciará, ainda neste mês, sua candidatura à reeleição no pleito de 2020.

O combate a quem chega aos EUA de forma ilegal foi uma das prioridades de sua campanha nas eleições de 2016, inclusive com a proposta até aqui frustrada de construir um muro na fronteira com o México.

Os estados que mais se beneficiam do comércio com os mexicanos são governados por republicanos, do partido do presidente, caso de Texas e Arizona —este comprou US$ 9 bilhões de produtos do país vizinho em 2018. 

Empresários temiam que as tarifas anunciadas prejudicassem cadeias comerciais importantes nessas regiões, aumentando o desemprego.

Segundo pesquisa divulgada pela rede de TV americana CNBC, o tarifário sobre produtos mexicanos poderia cortar até 400 mil empregos nos EUA, 117 mil deles no Texas.

Michigan, considerado um dos estados-chave para a reeleição de Trump, é o mais dependente de produtos mexicanos nos EUA. No ano passado, importou US$ 56,3 bilhões do país vizinho, o que representa 10,5% de seu PIB.

A explicação para o amplo intercâmbio com o México —que levaria o estado para o centro dos prejuízos caso as tarifas fossem implementadas— é a indústria automobilística, que criou uma rede robusta de envio de componentes e produtos já prontos para o outro lado da fronteira.

Na eleição de 2016, Trump venceu sua adversária, a democrata Hillary Clinton, em Michigan com uma vantagem de apenas 0,23%. Segundo analistas, ele não pode perder nessa região se quiser ser reeleito.

Isso porque a disputa americana, que funciona por colégio eleitoral, tem 538 delegados —dos quais 16 representam os eleitores do estado.

O presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, conhecido pela sigla AMLO, celebrou o acordo com Trump em uma rede social. "Graças ao apoio de todos os mexicanos foi possível evitar a imposição de tarifas aos produtos mexicanos exportados para os Estados Unidos". 

Cerca de 80% das exportações mexicanas têm os EUA como destino.​

Agentes americanos detiveram mais de 132 mil pessoas cruzando a fronteira sul em maio, o maior número desde 2006 —o presidente americano descreveu a situação como uma invasão.

Com AFP e Reuters

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.