Suspeito de incendiar estúdio de animação no Japão disse ter sido vítima de plágio

Homem de 41 anos já havia cumprido pena por roubo e apresentado problemas mentais

Kyoto (Japão) | Reuters

O suspeito de ter incendiado um estúdio de animação no Japão planejou o ataque que deixou 33 pessoas mortas nesta quinta-feira (18), de acordo com relatos da mídia local. 

O acusado, identificado pela polícia como Shinji Aoba, 41, levou um carrinho com gasolina até a entrada do prédio da produtora Kyoto Animation. Ele espalhou combustível pela área, gritou "morram" e ateou fogo.

Aoba foi detido após o ataque. Ele "parecia estar com raiva, e gritou alguma coisa sobre como ele foi plagiado", disse uma testemunha da prisão, a repórteres japoneses. 

O homem de 41 anos "parecia ficar cada vez mais furioso, gritando algo sobre ter sido vítima de plágio", disse uma mulher que o viu ser detido pela polícia. 

Policiais não encontraram nenhuma conexão entre o homem e o estúdio Kyoto Animation. O endereço indicado em sua carteira de motorista fica em Saitama, um subúrbio ao norte de Tóquio, a 480 km de Kyoto. 

A TV pública NHK informou que, segundo a polícia, Aoba cumpriu pena por roubar uma loja em 2012, em Tóquio, e que depois de ser solto passou a viver em um abrigo para ex-detentos. Ele também recebeu tratamento para problemas mentais.

No mês passado, o acusado teve uma briga com um vizinho por causa de barulho. Quando o vizinho disse que o ruído vinha de outro apartamento que não o dele, Aoba agarrou sua camisa e disse "cale a boca ou vou te matar", segundo um jornal local.

Antes do ataque, Aoba comprou duas latas de 20 litros em uma loja de ferragens e teria rearranjado o combustível em barris em um parque perto do estúdio.

O suspeito sofreu sérias queimaduras no rosto e nas pernas e está internado, sob efeito de anestesia. Assim, a polícia disse não poder interrogá-lo neste momento. 

Presos na escada

A identificação das vítimas não foi divulgada até esta sexta (19). Havia 74 pessoas no prédio quando começou o incêndio.

O fogo cresceu rapidamente porque ficou concentrado em uma escada em espiral, onde não havia borrifadores automáticos de água para contê-lo, segundo as autoridades.

Das 33 vítimas, 19 foram encontradas em uma escada que levava ao telhado. A porta de saída dessa escada estava bloqueada, e só podia ser aberta do lado de fora. Com isso, as pessoas ficaram presas ao tentar escapar.

O incêndio também deixou dez feridos em estado crítico, segundo as autoridades japonesas —trata-se do pior assassinato em massa desde que um incêndio criminoso matou 44 pessoas em Tóquio, em 2001.

​​Jun Shin, um chinês de 30 anos que mora em Osaka, visitou o local na noite de quinta-feira para deixar flores e fazer uma prece.

"Sou um fã de animes", disse ele. "Eu assisto a animações desde que era estudante. Este foi um evento terrível, quis vir até aqui e prestar minha homenagem, isto me deixou sem fala." 

O estúdio, fundado em 1981, não é um dos maiores estúdios japoneses de animação nem tem grande penetração no mercado internacional, mas trabalha com adaptações de light novels, tipo de publicação impressa popular no Japão, e com animadores contratados, não recorrendo a freelancers.

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