Dois dias após acordo, partido italiano condiciona coalização a novas exigências e gera impasse

Em oposição ao Partido Democrático, Movimento 5 Estrelas quer reduzir assistência a imigrantes

Roma | Reuters

Após o acordo firmado nesta quarta-feira (28) para a formação de novo governo na Itália, o Movimento 5 Estrelas condicionou sua coalização com o Partido Democrático (PD) a novas exigências políticas.

Entre elas, estão a redução do número de parlamentares, a revogação da concessão de uma rodovia à italiana Atlantia, empresa que operava a ponte que desabou em Gênova há um ano, e a aprovação de uma lei que pretende diminuir o número de resgates marítimos a imigrantes.

O líder do Movimento 5 Estrelas, Luigi Di Maio, discursa após encontro com o presidente da Itália, no Palácio Quirinal, em Roma
O líder do Movimento 5 Estrelas, Luigi Di Maio, discursa após encontro com o presidente da Itália, no Palácio Quirinal, em Roma - Filippo Monteforte - 28.ago.19/AFP

"Nossos pontos do programa são claros. Se eles estão incluídos no programa do governo, então podemos começar. Caso contrário, seria melhor voltar às eleições e, devo acrescentar, o mais rápido possível", afirmou, nesta sexta (30), Luigi Di Maio, líder do 5 Estrelas (movimento populista que se apresenta como antissistema).

Di Maio também acusou o PD de se concentrar demais nos nomes dos futuros ministros.

A novidade, que sucede uma rodada inicial de negociações e é anunciada dois dias após a formalização da coalização entre os dois partidos antagônicos, mina o otimismo com que o pacto foi recebido pelo governo e pelo mercado. 

A criação de novas políticas para a imigração era uma das condições do Partido Democrático, de centro-esquerda, para a formação da aliança.

"Incompreensível. Você mudou de ideia?", escreveu Andrea Orlando, vice-líder do PD, no Twitter. Maria Elena Boschi, deputada do partido, classificou como inaceitáveis as "ameaças e ultimatos de Di Maio".

Se as negociações entre 5 Estrelas e PD ruírem antes da posse de um governo, o presidente da Itália, Sergio Mattarella, terá que convocar eleições três anos e meio antes do programado. Neste cenário, o anti-imigração e líder da Liga, Matteo Salvini, pode sair vitorioso.

Salvini é o principal responsável pela atual crise política italiana. A renúncia de Conte no dia 20 de agosto foi o desfecho de uma crise que eclodiu no dia 8, quando Salvini, líder do partido da direita nacionalista Liga, apresentou uma moção de desconfiança contra o premiê. 

A Liga compunha, com o 5 Estrelas, a aliança que dava sustentação a Conte.

Para Salvini, o objetivo é se tornar o próximo primeiro-ministro da Itália. No último ano, ele se transformou no político mais popular do país e tem cerca de 36% das intenções de voto.


A CRISE NA ITÁLIA

mar.2018 Os partidos A Liga (extrema-direita) e Movimento 5 Estrelas (anti-sistema) conquistam votação expressiva nas eleições e debatem formar uma coalizão

jun.2018 Os líderes dos dois partidos, Matteo Salvii (Liga) e Luigi di Maio (5 Estrelas) chegam a um acordo para formar o governo e Giuseppe Conte, um independente, toma posse como premiê

mai.2019 A Liga é o partido mais votado (34%) nas eleições para o Parlamento Europeu. O 5 Estrelas (17%) fica em terceiro lugar, num sinal de perda de força

jul.2019 A Liga é alvo de processo pela acusação de receber doações de campanha da Rússia de modo ilegal

7.ago.2019 Senado aprova nova linha de trem para a França. A Liga defende o projeto, mas o 5 Estrelas tenta barrá-lo, por envolver questões ambientais

8.ago.2019 A Liga convoca uma moção de desconfiança contra o governo e Salvini pede novas eleições

20.ago.2019 Conte renuncia ao cargo

28.ago.2019 5 Estrelas e PD chegam a acordo para formar governo, com Conte no cargo de premiê

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