Rússia ordena que Google pare de promover manifestações 'ilegais'

Órgão russo responsável pelo controle da mídia pede fim de alguns serviços do YouTube

Moscou

O Serviço Federal de Supervisão de Comunicações, Tecnologia da Informação e Mídia de Massa (Roscomnadzor) —órgão do governo russo responsável por supervisionar os meios de comunicação —ordenou à Google, nesse domingo (11), que pare de fazer propaganda de "eventos populares ilegais" na plataforma YouTube. 

No sábado (10), centenas de pessoas participaram de protestos, considerados os maiores no país em oito anos, exigindo mais lisura e transparência nas eleições legislativas de Moscou, como também um processo eleitoral mais democrático. As manifestações foram altamente reprimidas e resultaram na prisão de centenas de pessoas por todo o país. 

 

Em setembro do ano passado, 60 candidaturas independentes e de oposição para as eleições municipais russas foram excluídas. A interdição é a maior causa dos protestos, que até agora foram amplamente transmitidos, ao vivo, por canais do YouTube. 

O Roscomnadzor é um órgão cuja atuação é marcada pela censura. O serviço federal afirma que entidades estão comprando ferramentas do Youtube, como disparos de notificações, para disseminar informações sobre os "protestos populares ilegais", que visam comprometer as eleições. 

O órgão diz que o país consideraria uma falha da Google caso não atenda ao pedido, já que a "interferência" viola os princípios da soberania nacional e incitam à hostilidade e à obstrução das eleições democráticas da Rússia. 

No caso da empresa não tomar medidas para evitar a promoção desses eventos, a Rússia se reserva ao direito de "responder de acordo", declarou o Roscomnadzor, sem detalhar quais tipos de medidas poderiam ser tomadas. 

Nos últimos cinco anos, a Rússia aprovou leis mais severas de regulamentação de plataformas de busca, exigindo que deletassem determinados resultados, pedindo aos serviços que compartilhem suas criptografias com serviços de segurança e, também, estipulando que as redes sociais devem guardar informações pessoais de usuários russos em servidores alocados no próprio país. 

O porta-voz da Google na Rússia não quis comentar a ordem da Roscomnadzor.

Não é a primeira vez que Moscou pressiona a Google, um dos maiores rivais da companhia russa de internet, Yandex. Em 2018, a Rússia multou a empresa em $500 mil rublos (R$30 mil reais) por não ter cumprido com a exigência da justiça de que retirasse determinados resultados da plataforma de busca. 

No primeiro semestre desse ano, a Google tirou do ar uma propaganda do líder da oposição russa,  Alexei Navaln, depois que autoridades reclamaram, afirmando que o vídeo violava a lei que proíbe ações de campanha antes das eleições para governador. A empresa foi obrigada a pagar ao governo russo uma multa no valor de R$40 mil reais.

 
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