Comentário sobre Brigitte Macron foi 'grosseria indesculpável', diz Guedes

Ministro reforça pedido de desculpas e diz que, como brasileiro típico, 'pisa na jaca'

Nicola Pamplona
Rio de Janeiro

O ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a se desculpar nesta sexta (6) sobre comentários ofensivos à primeira-dama da França, Brigitte Macron, feitos no dia anterior.

Ele classificou sua fala como "grosseria indesculpável", mas reforçou críticas à imprensa por alimentar "ruídos".

"Eu fiz uma brincadeira de profundo mau gosto, que só posso lamentar", disse o ministro, em entrevista no Rio para detalhar acordo comercial entre Brasil e Argentina. "Foi uma grosseria indesculpável."

O ministro da Economia, Paulo Guedes - Mauro Pimentel/AFP

Na quinta (5), ao comentar em evento em Fortaleza declaração recente do presidente Jair Bolsonaro, Guedes afirmou que Brigitte "é feia mesmo", arrancando risadas de uma plateia de empresários locais.

Na noite do mesmo dia, o ministério da Economia divulgou uma nota com um primeiro pedido de desculpas.

Nesta sexta, Guedes afirmou que fez o comentário porque é um "brasileiro típico". 

"Eu sou um brasileiro típico, eu piso na jaca, eu rolo na lama. Eu estou há duas horas aqui e tentando não pisar. Quando eu vejo que vou pisar, até mudo a postura", disse ele, após quase duas horas de entrevista na sede do Ministério da Economia do Rio. 

O ministro reclamou que o comentário foi retirado do contexto e criticou a imprensa. Ele defende que queria frisar que a cobertura do governo Bolsonaro está focada em "ruídos" e não em notícias sobre ações positivas da gestão. 

Questionado sobre notícias de empresas suspendendo compras de produtos brasileiros por causa das queimadas na Amazônia, disse que é fruto de "desinformação".

"Como tem muita gente desinformando ao invés de informando, como tem muita gente focada no ruído", comentou. 

"A informação que deveria estar indo para a Europa é que o Brasil abriu seu mercado em busca de integração com a Europa. Mas tem o barulho, o barulho é que xingaram a mulher de feia, aí vem a empresa e diz que não compra mais."

No dia 24 de agosto, Bolsonaro endossou em uma rede social um comentário ofensivo contra a primeira-dama francesa.

Ao comentar uma publicação do mandatário brasileiro em sua página no Facebook, o seguidor Rodrigo Andreaça escreveu: "É inveja presidente do Macron pode crê (sic)".

A mensagem foi publicada junto a uma imagem, na qual se vê uma foto de Bolsonaro e de sua esposa, Michelle Bolsonaro, abaixo de um retrato do presidente francês, Emmanuel Macron, e de sua mulher, Brigitte.

Ao lado das fotos dos casais, há os dizeres: "Entende agora por que Macron persegue Bolsonaro?".

O perfil de Bolsonaro respondeu a Andreaça: "Não humilha, cara. Kkkkkkk", dando a entender que as recentes críticas de Macron ao presidente brasileiro seriam motivadas por inveja da esposa do brasileiro.

O episódio se soma às desavenças com o governo francês deflagradas nos últimos dois meses. Em julho, Bolsonaro cancelou em cima da hora uma reunião com o chanceler da França, Jean-Yves Le Drian. Em seguida fez uma live cortando o cabelo no horário em que estaria reunido com o diplomata.

A declaração do presidente sobre Brigitte piorou ainda mais as relações franco-brasileiras, acirradas após Macron tomar a dianteira da reação internacional sobre as queimadas na Amazônia.

A troca de acusações entre eles levou à mais séria crise diplomática entre Paris e Brasília desde a década de 1960, na opinião de diplomatas europeus e brasileiros ouvidos pela Folha

Em entrevista no âmbito da cúpula do G7 (clube dos países ricos) no último mês, Macron disse esperar que “os brasileiros tenham logo um presidente que se comporte à altura” do cargo.

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