Descrição de chapéu Governo Trump

Trump anuncia sanções contra o Irã, e sauditas mostram novas provas do ataque

Americano não esclareceu quais medidas serão implementadas contra Teerã

Washington, Dubai e Jiddah (Arábia Saudita) | AFP e Reuters

O presidente americano, Donald Trump, anunciou nesta quarta (18) que Washington vai endurecer as sanções impostas contra o Irã, país suspeito de ter participado do ataque contra instalações petrolíferas da Arábia Saudita.

Ainda que tenha publicado em uma rede social uma mensagem na qual informa ter ordenado ao secretário do Tesouro aumentar “substancialmente as sanções contra o Estado iraniano”, Trump não especificou quais serão as novas punições contra Teerã e não esclareceu se a medida é uma resposta a ação contra Riad —um aliado de Washington. 

O presidente disse apenas que dará mais detalhes sobre o assunto nas próximas 48 horas. 

Questionado por jornalistas em Los Angeles sobre a possibilidade de um ataque militar contra o Irã, Trump afirmou que considera uma guerra "a última opção" e que ainda está avaliando qual caminho seguir. 

Já seu secretário de Estado, Mike Pompeo, adotou tom mais duro contra o país persa. "Isto foi um ataque iraniano", afirmou a jornalistas durante um voo para a cidade saudita de Jiddah, onde se encontrou com o príncipe herdeiro do país, Mohammed bin Salman. 

“Nós tivemos sorte que nenhum americano foi morto neste ataque, mas sempre que você tem um ato de guerra dessa natureza, existe a possibilidade de isso acontecer”, completou Pompeo, de acordo com o jornal The New York Times.

O secretário disse ainda que o ato teve as “impressões digitais do aiatolá” Ali Khamenei, o líder supremo do Irã.  

O ataque de sábado (14) contra instalações da estatal Aramco comprometeu 50% da produção de petróleo da Arábia Saudita e fez o preço do combustível disparar no mercado internacional.  

Jornalistas observam em Riad restos de mísseis que a Arábia Saudita afirma terem sido usados no ataque contra suas instalações petrolíferas
Jornalistas observam em Riad restos de mísseis que a Arábia Saudita afirma terem sido usados no ataque contra suas instalações petrolíferas - Hamad I Mohammed/Reuters

Os houthis, grupo rebelde que tenta chegar ao poder no Iêmen com apoio do Irã, assumiu a autoria da ação, mas tanto sauditas quanto americanos descartaram essa hipótese, apontando o dedo para Teerã. 

Segundo informações da inteligência americana reveladas pelo jornal The Wall Street Journal, o ataque teria partido do território iraniano, o que o governo local nega.

Riad, porém, ainda tem dúvidas sobre a origem exata do ataque, embora tenha afirmado que as armas usadas na ação são iranianas.

Em uma tentativa de reforçar a narrativa de que o Irã é o responsável pela ação, a Arábia Saudita mostrou nesta quarta-feira destroços de drones e mísseis que, segundo o governo, representam “evidências inegáveis” da agressão iraniana.

O porta-voz do Ministério da Defesa, Turki al-Malki, afirmou que 25 artefatos explosivos foram utilizados na investida. 

"O ataque foi lançado do norte e sem dúvida foi patrocinado pelo Irã", disse ele.

A afirmação descartaria a hipótese de que a ação tenha partido do Iêmen, que fica ao sul da Arábia Saudita. Segundo o porta-voz, os houthis estão sendo usados para encobrir a participação do Irã no caso. 

​Malki, porém, afirmou que seu governo ainda não sabe se o ataque partiu do território iraniano ou de outro país na região.

Apesar das declarações, EUA e Arábia Saudita afirmaram que pretendem esperar o fim das investigações sobre a origem do ataque antes de tomar uma atitude. 

O governo de Teerã nega envolvimento no episódio. "Eles querem impor uma pressão máxima ao Irã por meio de calúnias", disse o presidente Hasan Rowhani. Ele culpou ainda os dois rivais pela guerra civil no Iêmen —o governo local, que luta contra os houthis, tem apoio saudita. 

​Hesameddin Ashena , assessor do presidente iraniano, afirmou em mensagem numa rede social que a conferência de imprensa organizada pela Arábia Saudita prova que eles “não sabem nada” sobre a origem dos lançamentos e também não explica por que o sistema de defesa do país falhou. 

Em outro sinal do aumento das tensões, os houthis disseram nesta quarta-feira que identificaram dezenas de possíveis alvos também nos Emirados Árabes Unidos, incluindo alguns em Abu Dhabi, e que pode atacá-los a qualquer momento. 

Os Emirados Árabes Unidos são um dos principais aliados de Riad integram a coalizão saudita que combate os houthis no Iêmen. 

Yahya Saria, porta-voz do grupo rebelde iemenita, disse que os ataques à refinaria saíram de três locais diferentes e que outros drones foram usados para desviar a atenção das forças de segurança.

Imagem de satélite mostra fumaça após ataque contra a instalação petrolífera na Arábia Saudita no último sábado (14)
Imagem de satélite mostra fumaça após ataque contra a instalação petrolífera na Arábia Saudita no último sábado (14) - Planet Labs Inc/AFP
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