Twitter bloqueia contas de Raúl Castro e da imprensa estatal cubana

Não houve aviso prévio nem explicação posterior; líderes e jornalistas falam em censura

Havana | Reuters

A revolução não será tuitada. O Twitter bloqueou as contas do líder do Partido Comunista cubano Raúl Castro, de sua filha Mariela Castro e dos principais meios de comunicação estatais da ilha, em um movimento que a União Cubana de Jornalistas denunciou como "censura maciça".

Dezenas de perfis de jornalistas da mídia estatal, bem como a conta oficial do Ministério das Comunicações, foram bloqueadas na noite de quarta-feira (11).

O Twitter não explicou os motivos nem advertiu antecipadamente sobre a medida, segundo a imprensa estatal. A empresa não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

O dirigente cubano, Miguel Díaz-Canel (à esquerda), fala com o ex-dirigente Raúl Castro
O dirigente cubano, Miguel Díaz-Canel (à esquerda), fala com o ex-dirigente Raúl Castro - Alexandre Meneghini - 1º.ami.18/Reuters

A plataforma já havia suspendido contas individuais de jornalistas no passado, que foram posteriormente recuperadas.

A medida ocorreu no momento em que o dirigente Miguel Díaz-Canel falava ao país via TV estatal, alertando para uma crise de energia devido a sanções dos EUA.

"O que há de novo aqui é o escopo maciço desse ato de guerra cibernética, claramente planejado, que visa a limitar a liberdade de expressão de instituições e cidadãos cubanos e silenciar os líderes da revolução", afirmou em comunicado.

Alguns jornalistas locais independentes comentaram ironicamente o fato de que autoridades de um Estado de partido único, que detém o monopólio da imprensa, reclamaram de censura.

O jornalismo independente em Cuba não é legal, e os sites de vários veículos alternativos críticos ao governo estão bloqueados na ilha.

Os moradores precisam usar redes privadas virtuais (VPNs) para acessá-los, um sistema que permite que o bloqueio seja ultrapassado. 

"A imprensa oficial cubana descobre 'liberdade de expressão' graças ao Twitter", escreveu 14ymedio, o canal de notícias digital administrado pela proeminente dissidente Yoani Sánchez.

Cuba apareceu nesta semana na lista dos dez países do mundo nos quais a imprensa é mais censurada pelo governo.

Foi o único país das Américas a figurar no ranking do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), organização norte-americana sem fins lucrativos que promove a liberdade de imprensa.

Por muito tempo um dos países menos conectados do mundo, Cuba vem expandindo rapidamente o acesso a internet nos últimos anos.

Autoridades cubanas entraram no Twitter no ano passado, depois que Díaz-Canel abriu uma conta na rede social.

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