Descrição de chapéu Deutsche Welle

Chile condena 22 ex-agentes por crimes durante a ditadura militar

Brasil e Argentina ajudaram a encobrir sequestros e desaparecimentos forçados

DW

Quase 30 anos após o fim da ditadura militar no Chile, a Corte Suprema do país condenou 22 ex-agentes da polícia secreta de Augusto Pinochet pelo sequestro de dois opositores nesta segunda-feira (7).

As vítimas são Héctor Zúñiga Tapia e Bernardo de Castro López, militantes de esquerda que foram detidos em meados de setembro de 1974.

Em 1975, os nomes de Tapia e López foram incluídos entre as vítimas da Operação Colombo, uma ação forjada pela Direção de Inteligência Nacional (Dina) para encobrir o desaparecimento de 119 prisioneiros políticos, com o apoio de agentes da Argentina e do Brasil.

As sentenças envolvem os principais membros da Dina, a polícia secreta de Pinochet. Na lista, estão nomes como o general Raúl Iturriaga Neumann e os brigadeiros Pedro Espinoza Bravo e Miguel Krassnoff Martchenko.

Todos eles já cumprem longas penas de prisão pela participação em violações de direitos humanos durante o período em que Pinochet esteve no poder, entre 1973 e 1990.

César Manríquez Bravo, Pedro Espinoza Bravo e Miguel Krassnoff Martchenko foram condenados a dez anos de prisão por serem considerados autores do rapto e posterior desaparecimento de Tapia, integrante do Movimento de Esquerda Revolucionária.

Outros cinco agentes também foram sentenciados pelos crimes.

Já pelo sequestro de López, militante do Partido Socialista, o tribunal condenou a dez anos César Manríquez Bravo, Pedro Espinoza Bravo, Gerardo Urrich González, Manuel Carevic Cubillos e Raúl Iturriaga Neumann.

No Brasil e na Argentina foram publicadas edições únicas de jornais inexistentes em que se relatava que as duas vítimas haviam morrido em expurgos feitos pelo Movimento de Esquerda Revolucionária nos territórios dos dois países.

Durante a ditadura de Pinochet, cerca de 3.200 pessoas foram assassinadas por agentes do Estado, das quais mais de 1.100 ainda estão desaparecidas. Outras 40 mil foram presas e torturadas por razões políticas.

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