Descrição de chapéu RFI

Octagenário que disputou eleição por sigla de ultradireita é suspeito de atacar mesquita na França

Claude Sinké, de 84 anos, foi afastado do partido de Marine Le Pen em 2015

RFI

A mesquita de Bayonne, cidade francesa apresentada por políticos locais como pacífica para a comunidade muçulmana, foi alvo nesta segunda-feira (28) de tiros que deixaram dois feridos em estado grave.

O suposto autor dos disparos é Claude Sinké, 84 anos, que reconheceu ter atirado. Candidato do antigo partido de Marine Le Pen em 2015, Sinké foi afastado do hoje Reunião Nacional logo após perder as eleições regionais —à época, a legenda se chamava Frente Nacional. 

Policiais em frente a mesquita na cidade de Bayonne, no sudoeste da França
Policiais em frente a mesquita na cidade de Bayonne, no sudoeste da França - Gaizka Iroz/AFP

Segundo as autoridades, um homem tentou atear fogo na porta da mesquita de Bayonne por volta de 15h20 (11h20 em Brasília). Ele foi surpreendido por duas pessoas e disparou contra elas. Ao sair, ateou fogo a um automóvel. Segundo o promotor, o homem carregava uma lata de gasolina.

As duas vítimas, gravemente feridas por balas, com idades entre 74 e 78 anos, foram operadas e se encontravam em tratamento intensivo na noite de segunda-feira (28). O prognóstico é delicado para um deles, afirmou a central de polícia.

Segundo o prefeito de Bayonne, Jean-René Etchegaray, que foi imediatamente ao local, dois tiros foram disparados e "uma pessoa foi atingida no pescoço, a outra no peito e no braço".

Em Saint-Martin-de-Seignanx, vilarejo pacífico em Landes, perto de Bayonne, os habitantes e vizinhos do atirador da mesquita pareciam surpresos com a raiva de um homem "muito solitário", "com obsessões", e "às vezes bastante violento", que "enlouqueceu".

No hall do prédio, o frio que cai surpreende uma dúzia de pessoas evacuadas do conjunto habitacional onde o suspeito morava, isolado pelas forças policiais.

Retirados de seus apartamentos por volta das 16h locais (12h em Brasília), para que a polícia realizasse uma busca na residência do suspeito, eles foram recepcionados por funcionários municipais e tiveram que esperar até por volta das 21h (17h) para voltar para casa.

Ninguém se declara próximo a Claude Sinké, um ex-militar octogenário que vive na cidade há muitos anos. Ele era conhecido pelas pessoas e alguns concordam que ele era ao menos "atípico" ou "dava a aparência de ser perturbado psicologicamente".

"É alguém com obsessões", declarou Francis Giraudie, vereador da cidade. "Ele considera que não é escutado. Às vezes, vinha à prefeitura ou ligava para reclamar de várias coisas”, afirmou.

“Uma vez, ele agrediu verbalmente o prefeito, tive que intervir para acalmá-lo", lembra Bertrand Lagarde, outro eleito.

Um vizinho que não quis se identificar afirmou que não ficou surpreso com os atos de Sinké, acrescentando que o octogenário tinha armas em casa e que as mostrava para algumas pessoas. 

Outros que moravam próximos ao suspeito afirmam que ele parecia bastante solitário, tinha dificuldade para andar, mesmo usando uma bengala, e enxergava mal. 

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