Israel e grupo palestino Jihad Islâmica anunciam cessar-fogo em Gaza

Acordo foi mediado pelo Egito; ao menos 34 morreram esta semana

Gaza | AFP

Israel e o grupo palestino Jihad Islâmica acertaram um acordo de cessar-fogo para acabar com os confrontos na Faixa de Gaza que deixaram pelo menos 34 mortos palestinos nos últimos dias, incluindo um líder jihadista.

O pacto, que entrou em vigor às 5h30 locais (0h30 de Brasília) desta quinta-feira (14), "é consequência dos esforços do Egito", informou à agência de notícias AFP uma fonte egípcia.

Na quarta-feira (13), o representante da ONU para o Oriente Médio, Nickolay Mladenov, chegou ao Cairo para tentar conter a escalada militar com a ajuda do governo do Egito, que tem grande influência em Gaza e mantém relações oficiais com Israel.

O acordo estipula que as facções palestinas na Faixa de Gaza deixem as armas e que Israel suspenda os bombardeios.

Pouco antes do anúncio do acordo, oito membros de uma família palestina —incluindo cinco menores de idade— morreram nos bombardeios do Exército israelense contra posições da Jihad Islâmica na Faixa de Gaza, informou o ministério da Saúde do território palestino. 

Com as oito vítimas, o número de mortos na região sobe a 34 desde terça-feira (12), quando o Exército hebreu iniciou uma série de ataques em represália ao disparo de mais de 350 foguetes da Faixa de Gaza contra Israel.

Os novos confrontos começaram com uma operação israelense contra Baha Abou al Ata, um comandante da Jihad Islâmica, morto ao lado de sua esposa. O governo de Israel o acusava de comandar ataques contra seu território.

Em um raio de 40 km de Gaza, os serviços públicos permaneceram fechados na quarta-feira. Um foguete caiu em uma casa, outro em uma fábrica e um terceiro em uma via expressa, a poucos metros de vários carros.

"Eles têm uma opção: interromper os ataques ou absorver mais e mais bombardeios. A escolha é deles", advertiu na quarta (13) o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu.

"Estamos decididos a lutar e a defender o nosso país, e se pensam que estes foguetes vão nos enfraquecer ou fazer hesitar estão muito equivocados", completou.

Este foi o momento de maior violência desde os confrontos entre soldados israelenses e palestinos que deixaram mais de 60 mortos em 14 de maio de 2018 em Gaza, quando a embaixada dos Estados Unidos foi transferida de Tel Aviv para Jerusalém.

A mudança ratificou o reconhecimento da cidade como capital de Israel pelos EUA, o que gerou grande insatisfação dos vizinhos, que reivindicam Jerusalém como capital de um possível Estado palestino.​

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