Incêndio florestal destrói cerca de 200 casas e frustra Natal em Valparaíso

Ministro do Interior do Chile afirma que há indícios de que fogo pode ter sido intencional

Santiago | AFP e Reuters

Cerca de 200 casas foram destruídas e 2.000 pessoas ficaram sem luz devido a um incêndio florestal que afeta desde terça-feira (24) a cidade turística de Valparaíso, anunciou o governo chileno nesta quarta (25).

O incêndio chegou aos morros Rocuant e San Roque, na parte alta da cidade —cerca de 120 km a oeste da capital Santiago—, atingindo 150 hectares de vegetação, segundo o ministro do Interior, Gonzalo Blumel.

"O controle do fogo avançou bastante, mas o incêndio ainda não foi contido."

As chamas avançaram rapidamente na direção de casas de madeira, motivo pelo qual a polícia, os bombeiros e o Exército evacuaram dezenas de famílias que aguardavam a ceia de Natal.

Casa incendiadas no morro Rocuant, em Valparaíso, no Chile
Casa incendiadas no morro Rocuant, em Valparaíso, no Chile - Pablo Rojas Maradiaga/AFP

Algumas delas passaram a noite em abrigos, deixando seus pertences e até animais de estimação ao saírem de suas casas, disse uma testemunha à agência de notícias Reuters.

"Estávamos preparando tudo para as festas quando o incêndio começou. Foi tudo muito rápido, não conseguimos tirar nada. É mais complicado sobretudo para as crianças", disse Fabián Olguín, 28, que mora no morro Rocuant.

Os locais evacuados estão em bairros populosos na parte alta de Valparaíso, onde as casas são construídas com madeira e placas de metal e muitos de seus habitantes vivem em condições precárias.

Moradores retornaram ao local nesta quarta para resgatar o que podiam, em meio ao ferro retorcido e ainda incandescente. "Horrível, terrível, ver as casas dos meus vizinhos, a minha, em chamas. Perder o trabalho de 20 anos... Infelizmente ficamos todos desabrigados", disse Silvia Puga, 49, entre lágrimas.

"Pensava que seria um Natal não muito bom devido à situação do país, mas seria um Natal em família. Isso arruinou tudo", afirmou César Umaña, em referência à onda de manifestações que começou há mais de dois meses no Chile em favor de medidas contra a desigualdade social e já deixou 28 mortos.

A intensidade do incêndio, chamado pelo governo de "Fundo La Plantación 2", caiu bastante nas áreas habitadas, enquanto focos ativos continuavam em zonas ermas dos morros afetados, informou o ministro.

Alimentado pelas altas temperaturas do verão no hemisfério sul e ventos fortes, o incêndio começou em prados e bosques e se espalhou pela cidade, disseram os bombeiros.

De acordo com o Serviço Nacional de Emergências (Onemi), 12 bombeiros ficaram feridos no combate às chamas, e 1.700 pessoas permanecem sem energia elétrica. Outro incêndio florestal, batizado de "Antena Microondas" segue ativo e "consome uma superfície aproximada de nove hectares de vegetação".

Trabalham no combate aos dois incêndios 25 brigadas florestais civis e militares, 12 unidades dos bombeiros, sete aviões-tanque e de observação, além de 11 helicópteros, informou o Onemi.

As causas estão sendo investigadas pelo Ministério Público, e o governo anunciou ações judiciais contra possíveis autores. "Há indícios de que esse incêndio pode ter sido intencional", disse Blumel. 

Nas redes sociais, circula um vídeo no qual é possível ver pessoas e um veículo próximos de onde o incêndio começou. "A promotoria é responsável por identificar os suspeitos e, eventualmente, estabelecer se há responsabilidades, mas há indicações de que isso poderia ter acontecido", acrescentou.

O governo chileno disponibilizou US$ 165 milhões para combater a difícil temporada de incêndios, ante a dura seca que atinge o centro do país há mais de uma década.

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