Descrição de chapéu Governo Trump

Protestos deixam 17 mortos e eclipsam 1ª ida de Trump à Índia

Confrontos foram os mais violentos desde início dos atos contra a lei da cidadania de Narendra Modi, em dezembro

Nova Déli | Reuters e AFP

Enquanto o presidente americano Donald Trump era recebido com honras em sua primeira visita à Índia no berço político do premiê Narendra Modi, violentos choques entre grupos opostos de manifestantes deixaram 17 mortos e 150 feridos na capital, Nova Déli.

Os confrontos são os piores desde dezembro, quando eclodiram os atos contra contra uma nova lei que prevê religião como critério para cidadania. As manifestações começaram no fim de semana, mas a violência piorou na segunda-feira (24). A violência voltou a deixar mortos na quarta, segundo a agência de notícias AFP.

Os atos opõem opositores e apoiadores do nacionalista Modi, acusado pelos críticos de favorecer os hindus e de prejudicar a minoria de mais de 180 milhões de muçulmanos do país.

Homem que apóia lei da cidadania de Modi se prepara para jogar pedra em manifestantes que se opõem à medida em Nova Déli
Homem que apóia lei da cidadania de Modi se prepara para jogar pedra em manifestantes que se opõem à medida em Nova Déli - Danish Siddiqui/Reuters

Segundo a polêmica lei aprovada pelo Parlamento em dezembro, hindus e cristãos vindos de países vizinhos que se estabeleceram na Índia antes de 2015 poderão pleitear cidadania por enfrentarem perseguição nos seus lugares de origem. A regra, porém, não vale para muçulmanos. 

Na época, Modi disse que a lei foi aprovada pelo Parlamento e não há como voltar atrás. Afirmou também que a decisão está “1.000% correta”.

Nesta terça, o ministro indiano do Interior, G. Kishan Reddy, afirmou que a violência deste início de semana foi “uma conspiração para difamar a Índia” no momento da visita de Trump.

A recepção ao presidente americano foi preparada cuidadosamente pelo governo indiano no estado de origem de Modi, Gujarat, a aproximadamente 900 km de Nova Déli. 

Na cidade de Ahmedabad, ele foi saudado por mais de 100 mil pessoas no maior estádio de críquete do mundo. Foi o maior evento já realizado no exterior para Trump.

Na segunda-feira, enquanto ocorriam os protestos na capital, o americano elogiava a Índia como um país tolerante.

“A Índia é um país que orgulhosamente abraça a liberdade, os direitos individuais, o Estado de direito e a dignidade de todo ser humano”, disse, no estádio. “Sua unidade é uma inspiração para o mundo.”

Nesta terça, apesar de autoridades locais terem tomado medidas de emergência proibindo a reunião de pessoas nas áreas mais atingidas da capital indiana, foram registrados mais episódios de violência, especialmente em bairros do norte da cidade. 

Pessoas pró-lei de cidadania agridem um homem que se opõe à norma em Nova Déli
Pessoas pró-lei de cidadania agridem um homem que se opõe à norma em Nova Déli - Danish Siddiqui /Reuters

Imagens de canais de TV locais mostraram grandes nuvens de fumaça saindo de um mercado que foi incendiado. 

Testemunhas relataram à agência de notícias Reuters terem visto grupos andando nas ruas com pedras e porretes na mão, além de feridos muçulmanos e hindus atendidos em um hospital local. Vítimas dos dois lados sofreram ferimentos por bala.

Escolas e ao menos cinco estações de metrô na zona norte da cidade foram fechadas. 

O chefe dos bombeiros afirmou que sua equipe respondeu a mais de uma dúzia de chamados com incidentes, 

“Buscamos proteção policial para nossos veículos. A situação é muito grave”, afirmou o diretor do departamento de Incêndios de Déli, Atul Garg.

Um veículo dos bombeiros foi queimado por manifestantes na segunda, e alguns oficiais ficaram feridos.

A polícia informou ter enviado 3.500 oficiais para as áreas de protestos. Agentes dispararam bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha contra manifestantes, ferindo algumas pessoas. Dois jornalistas foram atacados e agredidos pela multidão.

Na segunda-feira, a polícia também jogou gás e granadas de fumaça contra quem protestava, mas teve dificuldades em conter os manifestantes, que jogaram pedras, queimaram veículos e fizeram barricadas de metal. 

Após a recepção massiva no berço político de Modi, Trump se reuniu com o premiê para discutir acordos militares e comerciais na tentativa de equilibrar o peso da China na região, tentando avançar em assuntos que têm dividido os dois países. Depois da conversa, ele afirmou que a reunião foi “produtiva”.

Foi fechado um trato pelo qual o governo indiano comprará 24 helicópteros militares dos EUA equipados com mísseis, no valor de US$ 2,6 bilhões.  

A Índia está modernizando suas Forças Armadas para reduzir a diferença com a China e tem cada vez mais buscado os EUA em vez de seu tradicional fornecedor, a Rússia.

Trump disse ainda que os dois países estão progredindo em um grande acordo comercial, que ele espera que saia até o fim do ano. Negociadores dos dois lados estão há meses tentando resolver diferenças relativas a tarifas, que o americano considera muito altas. 

“Estão nos cobrando tarifas altíssimas. Não podem fazer isso”, disse ele, na única crítica que proferiu ao país anfitrião durante a visita.

Trump agradeceu pelo comício realizado em sua homenagem e elogiou Modi. “O povo te ama... toda vez que eu mencionava seu nome, eles gritavam”, disse.

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