Descrição de chapéu Coronavírus

Boris Johnson é primeiro líder mundial a receber diagnóstico de coronavírus

Premiê britânico, 55, anunciou que ficará em isolamento e que apresenta apenas sintomas leves

Bruxelas

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, 55, anunciou em um vídeo publicado em uma rede social na manhã desta sexta (27) que está com coronavírus. Ele é o primeiro importante líder mundial a receber o diagnóstico de Covid-19.

Boris afirma ter apresentado sintomas leves —tosse seca e febre— nas últimas 24 horas e recomendou a todos que continuem respeitando as orientações do governo.

"Obrigado a todos que estão fazendo o mesmo que eu, trabalhando de casa para conter a disseminação do vírus. Vamos vencer juntos”, disse ele no vídeo. "Fiquem em casa. Protejam o NHS [sistema público de saúde]. Salvem vidas."

O governo britânico afirmou que o premiê começou a apresentar sintomas de coronavírus depois da sessão parlamentar de quinta (26), quando teve que responder a perguntas dos deputados britânicos.

À noite, ele saiu à porta de sua casa para participar do aplauso coletivo aos profissionais de saúde, ao lado do ministro das Finanças, Rishi Sunak. Estava sem máscara, mas ficou a mais de dois metros —distância recomendada para evitar o contágio— do colaborador.

Não há informações se Sunak ou outros integrantes do gabinete de Boris realizarão exames ou se serão colocados em isolamento.

De acordo com porta-vozes do governo, o primeiro-ministro fez o teste por recomendação do principal conselheiro médico do Reino Unido, Chris Whitty, que também foi infectado com a Covid-19, como anunciou nesta sexta.

Boris agora ficará em isolamento total pelos próximos sete dias em uma ala de sua casa em Downing Street —rua onde mora a cúpula do governo britânico. Suas refeições serão deixadas diariamente na porta de seus aposentos, mas ele não terá contato direto com funcionários ou assessores.

"Continuo liderando o governo no combate ao coronavírus, por videoconferência", afirmou ele. Caso precise deixar suas atividades, o governo britânico passará para o secretário das Relações Exteriores (cargo equivalente ao de ministro), Dominic Raab.

A noiva de Boris, Carrie Symonds, 32 —que está grávida—, foi colocada em isolamento preventivo e sem contato com o primeiro-ministro, mas não se sabe se ela também fez o teste para saber se está contaminada.

O primeiro-ministro britânico foi um dos últimos líderes europeus a tomar medidas de restrição, mesmo quando a pandemia já atingia boa parte do continente.

Inicialmente, ele adotou uma estratégia de longo prazo, conhecida como “imunidade de rebanho”.

A ideia era que, se o vírus circulasse entre a população, e uma parcela grande dela adquirisse imunidade (entre 60% e 70%, segundo epidemiologistas), a transmissão seria bloqueada, porque a chance de encontrar alguém imune seria muito maior que a de cruzar com um doente e ser contaminado.

Mas na semana passada ele decidiu mudar de tática e anunciou uma série de restrições no país, inclusive ordenando que a população ficasse em casa.

Segundo dados da Universidade Johns Hopkins, o Reino Unido tem 14.743 casos confirmados de coronavírus e 761 mortes até esta sexta.

Além de Boris e Whitty, o secretário de Saúde do Reino Unido (cargo equivalente ao de ministro no Brasil), Matt Hancock, 41, também informou na manhã desta sexta que está com coronavírus. Ele anunciou que está em quarentena e que passa bem.

Na quarta (25), a família real anunciou que o príncipe Charles, 71, primeiro na linha de sucessão do trono britânico, também recebeu o diagnóstico de Covid-19.

No Reino Unido, o primeiro-ministro costuma ter reuniões semanais com a rainha Elizabeth 2ª, no palácio de Buckingham. A última vez que os dois se encontraram pessoalmente, porém, foi em 11 de março.

Na semana passada, a conversa entre Boris e a rainha foi feita por telefone, justamente para preservar Elizabeth 2ª. Segundo o palácio, ela continua bem de saúde.

Diversos outros líderes mundiais fizeram o teste para saber se tinham o vírus, mas todos os resultados foram negativos.

A lista inclui a chanceler alemã, Angela Merkel, o premiê canadense, Justin Trudeau —sua mulher, Sophie, no entanto, foi infectada—, e o presidente americano, Donald Trump, entre outros.

Além de Boris, o único chefe de Estado ou de governo que anunciou ter contraído o vírus foi o príncipe Albert 2º, de Mônaco.

Entre outros líderes vítimas da pandemia estão o prefeito de Miami, Francis Suárez; o senador americano Rand Paul; o vice-presidente do Irã, Eschaq Jahangiri (segundo a mídia iraniana); o ministro da Habitação da Austrália, Peter Dutton; e a responsável britânica por Saúde Mental, Nadine Dorries.

Segundo a imprensa espanhola, a mulher do primeiro-ministro Pedro Sánchez, Maria Begoña Gómez, também foi infectada, mas ele não tem respondido a perguntas sobre a saúde de sua família.

O presidente brasileiro Jair Bolsonaro também afirmou que seus testes tiveram resultados negativos.

Há 25 pessoas de seu entorno infectadas pelo coronavírus, entre os quais dois ministros: o general Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Bento Albuquerque (Minas e Energia).

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