Ernesto chama estudo do MIT de artigo de blog para desestabilizar transição na Bolívia

Pesquisadores contestam análise da OEA que afirma ter encontrado fraudes na eleição boliviana

São Paulo

O chanceler Ernesto Araújo chamou um estudo de dois pesquisadores do MIT (Massachusetts Institute of Technology) de "artigo de blog para desestabilizar o processo de transição democrática" na Bolívia.

Localizado em Cambridge, nos EUA, o MIT é considerado uma das melhores universidades do mundo.

No texto em questão, publicado no jornal americano The Washington Post, os pesquisadores John Curiel e Jack R. Williams, membros do MIT Election Data and Science Lab (laboratório de ciência e dados de eleições), afirmam não haver "evidência estatística de fraude" nas eleições presidenciais da Bolívia, contradizendo a Organização dos Estados Americanos (OEA), que apontou adulteração dos resultados.

Em mensagem numa rede social neste domingo (1º), o miniistro das Relações Exteriores do governo brasileiro disse que "a fraude nas eleições de 2019 na Bolívia foi claríssima e está documentada pela OEA".

"Agora um artigo de blog questiona isso, no intuito de desestabilizar o processo de transição democrática em benefício daqueles que praticaram a fraude. Compreensível mas inaceitável."

O chanceler Ernesto Araújo durante conferência na Guatemala - Luis Echeverria/Reuters

O texto dos pesquisadores foi publicado na seção "Monkey Cage", um site independente hospedado no site do jornal americano que traz análises do cenário político feitas por acadêmicos respeitados. 

Eles realizaram cálculos a partir das tendências de voto no momento em que a contagem rápida, o chamado TREP (que contabiliza atas das mesas), foi interrompida —ela foi retomada apenas dois dias depois.

O documento original da OEA relatou que o tempo para que o TREP fosse retomado era suficiente para extravio e queima de atas, duplicação de nomes e outras irregularidades.

Para os pesquisadores do MIT, a quantidade de votos já contabilizados (84%, pelo TREP) antes da contagem ser interrompida mostrava "uma diferença significativa do ponto de vista estatístico", o que impediria que os resultados fossem diferentes dos anunciados pelo governo.

A conturbada apuração dos votos do pleito de outubro deu início a uma crise institucional que levou à renúncia do primeiro presidente indígena da Bolívia, Evo Morales, que concorria a um quarto mandato. Evo deixou o país em novembro —ele inicialmente viajou ao México e agora está refugiado na Argentina.

Nas semanas seguintes, a senadora de oposição Jeanine Añez se declarou presidente do país e convocou novas eleições para maio, mas a Justiça barrou a candidatura de Evo, que pretendia concorrer a uma vaga no Senado.

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