Descrição de chapéu Coreia do Norte

Kim Jong-un se recupera após procedimento cardiovascular, diz site

Obesidade e excesso de cigarro e de trabalho teriam piorado saúde de ditador norte-coreano

Seul | Reuters

O ditador norte-coreano, Kim Jong-un, está recebendo tratamento após um procedimento cardiovascular realizado no início deste mês, informou a mídia sul-coreana nesta terça (21), no horário local.

Há especulações sobre a saúde do líder após sua ausência em um importante evento do país.

A Coreia do Norte marcou o aniversário de nascimento de seu fundador, Kim Il Sung —avô de Kim—, com um feriado nacional no dia 15 de abril, mas o atual líder norte-coreano não foi visto na ocasião.

O site Daily NK —página especializada e administrada por opositores do regime— citou uma fonte não identificada na Coreia do Norte, segundo a qual Kim está se recuperando em uma casa de campo no condado de Hyangsan, no Monte Kumgang, costa leste do país, depois de realizar o procedimento em 12 de abril num hospital da região.

Especula-se que o líder norte-coreano tenha 36 anos de idade.

O ditador norte-coreano, Kim Jong-un, durante reunião com o Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte
O ditador norte-coreano, Kim Jong-un, durante reunião com o Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte - KCNA - 11.abr.20/Reuters

A saúde de Kim se deteriorou nos últimos meses devido ao excesso de cigarro, à obesidade e à sobrecarga de trabalho, informou o relatório do site.

"Meu entendimento é que ele estava lutando [contra problemas cardiovasculares] desde agosto passado, mas piorou após repetidas visitas ao Monte Paektu", afirmou a fonte, referindo-se à montanha sagrada do país.

Ainda de acordo com o relatório do Daily NK, Kim foi para o hospital depois de presidir uma reunião do Partido dos Trabalhadores no dia 11 de abril, quando foi visto publicamente pela última vez.

O acesso a relatórios de dentro da Coreia do Norte é notoriamente difícil, sobretudo em questões relacionadas à liderança do país, devido ao rígido controle das informações imposto pelo regime.

Nesta terça-feira (21), autoridades da Coreia do Sul e da China colocaram o relatório sob dúvidas. Dois funcionários do governo sul-coreano rejeitaram uma reportagem da CNN americana que citava uma autoridade dos EUA segundo a qual Washington estava monitorando a situação de Kim.

Os sul-coreanos tampouco confirmaram se o líder norte-coreano passou ou não por uma cirurgia. O governo do país vizinho afirma que não houve detecção de sinais incomuns da reclusa ditadura.

Já um oficial do Partido Comunista Chinês que lida com a Coreia do Norte disse à agência de notícias Reuters que a fonte citada não acreditaria que Kim está gravemente enfermo. A China é o maior aliado do país.

O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Geng Shuang, afirma que Pequim está atenta a relatórios sobre a saúde do líder norte-coreano, mas diz não saber qual é a fonte do material nem comenta se tem alguma informação sobre a situação.

Pyongyang disparou vários mísseis de curto alcance na semana passada, que oficiais de Seul disseram também fazer parte da comemoração de aniversário de Kim Il Sung.

Tais eventos militares geralmente contariam com a presença de Kim, mas não havia nenhuma notícia na agência estatal norte-coreana KCNA sobre os testes.

Ainda que nesta terça-feira a KCNA não tenha dado indicações do paradeiro do ditador, o veículo afirmou que ele enviou presentes de aniversário a proeminentes cidadãos.

Também nesta terça, um conselheiro da Casa Branca disse que os Estados Unidos não sabem quais são as condições de saúde do líder norte-coreano e que devem aguardar o desenrolar dos fatos.

Questionado sobre como funciona a sucessão no país asiático, Robert O'Brien, conselheiro de segurança nacional, afirmou, de acordo com gravação exibida pela CNN americana, que a "suposição inicial é que talvez seria alguém da família".

"Mas, novamente, é muito cedo para falar sobre isso, porque nós não sabemos a condição de Kim e temos de ver como as coisas acontecem."

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