Descrição de chapéu Coronavírus

UE diz que pandemia não pode ser pretexto para cercear imprensa

Afirmação foi feita em razão do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa por responsável pela política externa do bloco

Bruxelas

O responsável por política externa da União Europeia, Josep Borrell, se disse preocupado com o uso da pandemia como pretexto para impor restrições à liberdade de imprensa em alguns países.

A afirmação foi feita em comunicado pelo Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, que acontece neste domingo (3).

O texto é assinado em nome dos 27 países membros da UE, embora alguns deles sejam também criticados por cercear a liberdade de imprensa.

O caso mais recente é o da Hungria, em que lei aprovada durante a pandemia pode levar à prisão de jornalistas que, na interpretação do governo, estejam “atrapalhando o combate ao coronavírus”.

O responsável por política externa da União Europeia, Josep Borrell, durante entrevista coletiva virtual em Bruxelas
O responsável por política externa da União Europeia, Josep Borrell, durante entrevista coletiva virtual em Bruxelas - Olivier Hoslet - 22.abr.20/Reuters

Profissionais e organizações húngaros de outros países condenaram a medida, por ameaçar a liberdade de crítica dos jornalistas.

Em ranking de liberdade de imprensa divulgado no mês passado pela Repórteres sem Fronteira, Bulgária, Polônia, Malta, Chipre, Grécia, Albânia e Corácia também são apontados como casos preocupantes.

No comunicado, Borrell diz que “em muitos países, os jornalistas precisam enfrentar uma legislação restritiva, às vezes atribuída à emergência da Covid-19, que restringe a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa”.

Ele também afirma que estão se multiplicando paralisações da internet e fechamento de sites, e que repórteres, especialmente mulheres, “estão sujeitos a campanhas difamatórias, pressão financeira e ataques do governo ou da mídia partidária”.

Borrell também afirma que a imprensa é fundamental para combater a disseminação de informações falsas sobre a pandemia.

Segundo ele, as ações da UE contra desinformação “só podem ter sucesso se puderem basear-se no trabalho consciente de jornalistas comprometidos e corajosos, cujos esforços diários tornam as sociedades mais seguras, mais justas e mais democráticas”.

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